Joinville mostra diversidade de corpos e estilos de dança
CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)
A diversidade de corpos e estilos marcou a primeira noite da Mostra Contemporânea (que não é competitiva) do 26º Festival de Dança de Joinville. A abertura coube ao experiente bailarino Luís Arrieta e o encerramento, com a Riscas Cia de Dança, de Ribeirão Preto (interior de São Paulo).
Arrieta trouxe o "Carnaval dos Animais", criação sua a partir de uma obra originalmente clássica, com música de Camile Saint-Saens. A proposta da coreografia é a exploração dos movimentos do corpo desde o nascer até o dançar. A dança expressionista do bailarinos tem um quê de cinema mudo, com um toque de humor.
Em certo momento, Arrieta deixa claro a referência à obra clássica, em um gesto que lembra o fim daquele balé (com o corpo deitado no chão em uma inclinação do tronco para trás, chamado de cambrè na técnica clássica). A platéia pensa que a peça se encerra ali. E é essa a intenção. Mas ainda tem mais porque, afinal, estamos diante de Luís Arrieta, um ícone na dança brasileira.
| Alceu Bett/Divulgação | ||
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| "Carnaval dos Animais", do bailarino Luís Arrieta, abre a primeira noite da Mostra Contemporânea em Joinville |
Infelizmente, a noite foi de altos e baixos. A mesma qualidade dramaturgia observada em Arrieta não ocorre com "Escape", de Edson Fernandes, interpretado pelos bailarinos Andréa Barbosa, Bruno de Oliveira, Luiz Oliveira e Roseli Zanardo, do Riscas. A coreografia quer trazer uma reflexão sobre a necessidade de fuga, bem clara no cenário, delimitado por retângulos no chão, onde os bailarinos "estão presos". Mas a comunicação do que se quer falar é instantânea e, depois, fica enfadonho.
| Alceu Bett/Divulgação |
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| "Carnaval dos Animais" explora movimentos do nascer ao dançar |
Além disso, o grupo usa excesso de recursos (típico de companhias iniciantes, quando em suas primeiras obras experimenta-se de tudo, como se não houvesse tempo posterior para outras experimentações) e fala o tempo todo: escape (como se a platéia não fosse capaz de entender a proposta). A resposta veio do público: que dormiu na apresentação. É como se o Riscas quisesse dizer para a platéia "escape", mas ninguém teve coragem de sair até o final.
"Parece um pouco exercício ainda", diz o professor aposentado Sílvio Borges, sobre a última obra da noite. Ele diz que adora ver companhias contemporâneas, mas que nem sempre se vê a mesma qualidade do clássico.
"Gosto muito do balé clássico, mas o conceito do contemporâneo ultrapassa as fronteiras e me toca mais", afirma. Borges diz que todo o ano vai ao festival de Joinville. Ao seu lado, Edson Cardoso de Melo, que trabalha com turismo, se diz menos conhecedor de dança, mas fez questão de assistir a mostra. "A dança contemporânea sai do padrão. É uma proposta diferente do que a gente está acostumado", diz.
A mostra continua hoje no Teatro Juarez Machado, a partir das 22h, com a apresentação do grupo Meios Artistas Associados, de Belo Horizonte (MG), que apresenta 'Revê(fe)rências".
| Amir Sfair Filho/Divulgação | ||
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| Riscas Cia de Dança mostra, no Festival de Dança de Joinville, espetáculo "Escape", de Edson Fernandes |
A jornalista Cristina Baldi viajou a convite da organização do evento
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