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Ilustrada
18/07/2008 - 16h30

Joinville mostra diversidade de corpos e estilos de dança

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CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)

A diversidade de corpos e estilos marcou a primeira noite da Mostra Contemporânea (que não é competitiva) do 26º Festival de Dança de Joinville. A abertura coube ao experiente bailarino Luís Arrieta e o encerramento, com a Riscas Cia de Dança, de Ribeirão Preto (interior de São Paulo).

Arrieta trouxe o "Carnaval dos Animais", criação sua a partir de uma obra originalmente clássica, com música de Camile Saint-Saens. A proposta da coreografia é a exploração dos movimentos do corpo desde o nascer até o dançar. A dança expressionista do bailarinos tem um quê de cinema mudo, com um toque de humor.

Em certo momento, Arrieta deixa claro a referência à obra clássica, em um gesto que lembra o fim daquele balé (com o corpo deitado no chão em uma inclinação do tronco para trás, chamado de cambrè na técnica clássica). A platéia pensa que a peça se encerra ali. E é essa a intenção. Mas ainda tem mais porque, afinal, estamos diante de Luís Arrieta, um ícone na dança brasileira.

Alceu Bett/Divulgação
"Carnaval dos Animais", do bailarino Luís Arrieta, abre a primeira noite da Mostra Contemporânea em Joinville
"Carnaval dos Animais", do bailarino Luís Arrieta, abre a primeira noite da Mostra Contemporânea em Joinville

Infelizmente, a noite foi de altos e baixos. A mesma qualidade dramaturgia observada em Arrieta não ocorre com "Escape", de Edson Fernandes, interpretado pelos bailarinos Andréa Barbosa, Bruno de Oliveira, Luiz Oliveira e Roseli Zanardo, do Riscas. A coreografia quer trazer uma reflexão sobre a necessidade de fuga, bem clara no cenário, delimitado por retângulos no chão, onde os bailarinos "estão presos". Mas a comunicação do que se quer falar é instantânea e, depois, fica enfadonho.

Alceu Bett/Divulgação
Proposta de "Carnaval dos Animais" é explorar movimentos do nascer até o dançar
"Carnaval dos Animais" explora movimentos do nascer ao dançar

Além disso, o grupo usa excesso de recursos (típico de companhias iniciantes, quando em suas primeiras obras experimenta-se de tudo, como se não houvesse tempo posterior para outras experimentações) e fala o tempo todo: escape (como se a platéia não fosse capaz de entender a proposta). A resposta veio do público: que dormiu na apresentação. É como se o Riscas quisesse dizer para a platéia "escape", mas ninguém teve coragem de sair até o final.

"Parece um pouco exercício ainda", diz o professor aposentado Sílvio Borges, sobre a última obra da noite. Ele diz que adora ver companhias contemporâneas, mas que nem sempre se vê a mesma qualidade do clássico.

"Gosto muito do balé clássico, mas o conceito do contemporâneo ultrapassa as fronteiras e me toca mais", afirma. Borges diz que todo o ano vai ao festival de Joinville. Ao seu lado, Edson Cardoso de Melo, que trabalha com turismo, se diz menos conhecedor de dança, mas fez questão de assistir a mostra. "A dança contemporânea sai do padrão. É uma proposta diferente do que a gente está acostumado", diz.

A mostra continua hoje no Teatro Juarez Machado, a partir das 22h, com a apresentação do grupo Meios Artistas Associados, de Belo Horizonte (MG), que apresenta 'Revê(fe)rências".

Amir Sfair Filho/Divulgação
Riscas Cia de Dança mostra, no Festival de Dança de Joinville, espetáculo "Escape", de Edson Fernandes
Riscas Cia de Dança mostra, no Festival de Dança de Joinville, espetáculo "Escape", de Edson Fernandes

A jornalista Cristina Baldi viajou a convite da organização do evento

 

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