Rigor em festival de dança se compara a vestibular e futebol
CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)
Estar no 26º Festival de Dança de Joinville é como ser selecionado para um dos vestibulares mais concorridos do país ou como ser descoberto por um "olheiro" de futebol. Muitos querem participar e, de preferência, estar entre os premiados, mas são poucos os que conseguem. Alguns tentam anos até serem chamados. E os parâmetros de seleção são rigorosos.
Das 1.700 coreografias inscritas, 230 foram selecionadas e, no palco, algumas não alcançam a nota mínima para a premiação do primeiro lugar, por exemplo (acima de 9). Um grupo de quatro conselheiros, com a ajuda de alguns especialistas (para sapateado, jazz e dança de rua), seleciona os inscritos.
Eliana Caminada é uma das conselheiras artísticas do festival. Ela explica que cerca de metade das coreografias inscritas foi de balé clássico. Os membros do conselho se reúnem todos os anos, entre o final de abril e início de maio, para escolher aqueles que poderão pisar no palco do Centreventos Cau Hansen.
O material analisado é a fita de vídeo ou DVD enviado pelos grupos. Segundo ela, o critério de seleção varia conforme o estilo de dança apresentado. Concorrem em Joinville bailarinos que dançam balé clássico, contemporâneo, dança de rua, jazz, danças populares e sapateado.
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| Millenium, de Itajaí (SC), foi eleito melhor grupo em 2007, disputando com 1.400 que tentaram dançar no evento |
"Não é um palco para qualquer um. Já dançaram aqui, nas competições, bailarinos que se tornaram renomados", diz Eliana. Segundo ela, depois da primeira "peneira", na mostra competitiva os jurados avaliam um conjunto de qualidades, entre eles, a técnica.
"Os parâmetros são diferentes, conforme o tipo de dança. Mas o modo de usar o palco e o corpo estão presentes em todas as linguagens", diz Airton Tomazzoni, também do conselho, responsável pela escolha das coreografias que não são de balé clássico.
"No contemporâneo, o foco foi a questão investigativa, de grupos que mostravam a busca por uma linguagem", diz Tomazzoni. Ele lembra que, na manhã seguinte à cada competição, os grupos recebem dos jurados devoluções sobre seus trabalhos.
As competições dentro de festival seguem até o dia 25, com estilos e categorias diferenciados a cada noite (sempre a partir das 19h). No último dia do festival (26) dançam os campeões das noites anteriores e são premiados também os melhores bailarinos, melhor coreógrafo e também a revelação.
A jornalista Cristina Baldi viajou a convite da organização do evento
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