Platéia aplaude bailarina do Bolshoi em Joinville
CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)
A bailarina russa Natália Osipova, do Teatro Bolshoi, deixou o público da Noite de Gala do 26º Festival de Dança de Joinville extasiado. A jovem foi ovacionada pela platéia, aplaudida em cena aberta durante suas entradas em solos, com palmas ritmadas ao final, além dos urros e acompanhamento da percussão dos pés do público no chão do teatro na hora em que fez seus fouettès duplos e triplos (giro em uma perna só, em que a outra abre e fecha rapidamente).
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| Russa Natália Osipova, do Bolshoi, vê "nível alto" dos bailarinos do Bolshoi no Brasil |
Natália e o solista Andrey Bolotin vieram da Rússia para dançar a Grande Suíte de "Don Quixote" (uma versão resumida do balé, baseado no livro de Miguel de Cervantes). Os dois russos dançaram com alunos, ex-alunos, professores e integrantes da Cia Jovem da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Em alguns momentos a qualidade técnica do corpo de baile (conjunto de bailarinos) era tanta que nem parecia não-profissionais.
Quem a viu fora de cena não reconheceu a russa. A aparência frágil e meio mal-humorada se transforma. Ela vira um mulherão no palco. Em sua primeira entrada, no papel principal (Kitri), Natália já mostrou porque recebeu o prêmio de melhor bailarina pelo UK National Dance Award: deslizava no chão. E, na segunda, veio como um furacão, em grandes jetés (saltos com as duas pernas abertas), com muita vibração, um largo sorriso e uma presença cênica forte.
| Alceu Bett/Divulgação | ||
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| Natália Osipova arranca aplausos do público na noite de Gala do 26º Festival de Dança de Joinville |
Nos olhares e cambrès (inclinação do tronco para trás) era visível que aprendeu bem com aquela que é ídolo de gerações e musa de Natália no papel: a também russa Maia Plissetskaia, imortalizada como "Carmen". A jovem russa, que já dançou os papéis principais de "Giselle" e "La Sylphide", promete ser uma grande intérprete da cigana de Bizet.
O cenário e o figurino do balé eram luxuosos, dignos de uma companhia profissional. E os brasileiros dançaram quase como tais. O primeiro corpo de baile (na dança da seguidilha e fandango) tem técnica esplendorosa e interpretação ao estilo de teatro bufão. Destaque, neste início, para a bailarina Luiza Yuk, da Cia Jovem do ETBB, no papel de uma das amigas de Kitri.
Fica como ponto negativo a não-profissionalização do grupo, ao dividir a cena com uma estrela em ascensão da Rússia. Em alguns casos, a juventude e a insegurança atrapalharam, assim como a falta de preparo cênico (no sentido interpretativo), como na cena da dança cigana. A jovem que fez o cupido, Mônica Gross, apesar da graciosidade e da técnica, deixava o nervosismo visível na tensão de seus braços.
No corpo de baile da cena do sonho (formado por estudantes) falta também o rigor do balé russo, comum no direcionamento do olhar das bailarinas. Mas, apesar de tudo isto, a apresentação foi bem conduzida e a russa simplesmente ignorou que estava diante de não-profissionais. Foi ela quem brilhou na noite de domingo (nem seu parceiro, no papel de Basílio chegou a tanto), na força interpretativa, na técnica e na impulsão. Assim como deslizava no início do espetáculo, voava no final. Ficou um gostinho de quero mais.
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