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Ilustrada
21/07/2008 - 14h57

Platéia aplaude bailarina do Bolshoi em Joinville

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CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)

A bailarina russa Natália Osipova, do Teatro Bolshoi, deixou o público da Noite de Gala do 26º Festival de Dança de Joinville extasiado. A jovem foi ovacionada pela platéia, aplaudida em cena aberta durante suas entradas em solos, com palmas ritmadas ao final, além dos urros e acompanhamento da percussão dos pés do público no chão do teatro na hora em que fez seus fouettès duplos e triplos (giro em uma perna só, em que a outra abre e fecha rapidamente).

Divulgação
Natália Osipova vê "nível alto" dos bailarinos do Bolshoi no Brasil
Russa Natália Osipova, do Bolshoi, vê "nível alto" dos bailarinos do Bolshoi no Brasil

Natália e o solista Andrey Bolotin vieram da Rússia para dançar a Grande Suíte de "Don Quixote" (uma versão resumida do balé, baseado no livro de Miguel de Cervantes). Os dois russos dançaram com alunos, ex-alunos, professores e integrantes da Cia Jovem da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Em alguns momentos a qualidade técnica do corpo de baile (conjunto de bailarinos) era tanta que nem parecia não-profissionais.

Quem a viu fora de cena não reconheceu a russa. A aparência frágil e meio mal-humorada se transforma. Ela vira um mulherão no palco. Em sua primeira entrada, no papel principal (Kitri), Natália já mostrou porque recebeu o prêmio de melhor bailarina pelo UK National Dance Award: deslizava no chão. E, na segunda, veio como um furacão, em grandes jetés (saltos com as duas pernas abertas), com muita vibração, um largo sorriso e uma presença cênica forte.

Alceu Bett/Divulgação
Bailarina russa Natália Osipova, do Teatro Bolshoi, arranca aplausos do público na noite de Gala do 26º Festival de Dança de Joinville
Natália Osipova arranca aplausos do público na noite de Gala do 26º Festival de Dança de Joinville

Nos olhares e cambrès (inclinação do tronco para trás) era visível que aprendeu bem com aquela que é ídolo de gerações e musa de Natália no papel: a também russa Maia Plissetskaia, imortalizada como "Carmen". A jovem russa, que já dançou os papéis principais de "Giselle" e "La Sylphide", promete ser uma grande intérprete da cigana de Bizet.

O cenário e o figurino do balé eram luxuosos, dignos de uma companhia profissional. E os brasileiros dançaram quase como tais. O primeiro corpo de baile (na dança da seguidilha e fandango) tem técnica esplendorosa e interpretação ao estilo de teatro bufão. Destaque, neste início, para a bailarina Luiza Yuk, da Cia Jovem do ETBB, no papel de uma das amigas de Kitri.

Fica como ponto negativo a não-profissionalização do grupo, ao dividir a cena com uma estrela em ascensão da Rússia. Em alguns casos, a juventude e a insegurança atrapalharam, assim como a falta de preparo cênico (no sentido interpretativo), como na cena da dança cigana. A jovem que fez o cupido, Mônica Gross, apesar da graciosidade e da técnica, deixava o nervosismo visível na tensão de seus braços.

No corpo de baile da cena do sonho (formado por estudantes) falta também o rigor do balé russo, comum no direcionamento do olhar das bailarinas. Mas, apesar de tudo isto, a apresentação foi bem conduzida e a russa simplesmente ignorou que estava diante de não-profissionais. Foi ela quem brilhou na noite de domingo (nem seu parceiro, no papel de Basílio chegou a tanto), na força interpretativa, na técnica e na impulsão. Assim como deslizava no início do espetáculo, voava no final. Ficou um gostinho de quero mais.

 

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