Ilustrada
21/07/2008 - 14h04

Grupos contemporâneos de dança "se perdem" no tempo

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CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)

A tônica das apresentações dos grupos de dança contemporânea em Joinville (SC) foi a falta de noção do tempo. Não porque fossem coreografias extensas, mas que tinham comunicado o que queriam e continuavam dançando.

A Mostra de Dança Contemporânea do 26º Festival de Dança de Joinville terminou no domingo à noite (20). Em quatro noites foram seis peças. Excetuando-se os dois grupos mais conhecidos, da abertura (Luís Arrieta, com "O Carnaval dos Animais") e do fechamento (Cia Borelli de Dança, com "O Processo"), grande parte dos demais teve problemas em relação à dramaturgia e à proposta apresentada.

Na obra "Revê(Fe)rências, da Meios Associados, de Belo Horizonte (MG), estava claro, desde que os três bailarinos entraram no palco, que discutiam as suas referências artísticas e como elas se mostravam em seus corpos. Isto é visível, por exemplo, quando Peter Lavratti dança em cima de um plástico bolha, fazendo referências a passos de balé clássico. Mas a cena se perde porque dura muito mais tempo que o necessário e porque nos mostra várias vezes o que está falando, como se não tivéssemos a capacidade de entender olhando a dança (quando o vídeo projetado é de cenas de balé clássico).

Em "Alice", do Grupo Gaia, esse tempo extra à comunicação é ainda mais estendido. Apesar da ótima idéia, de fazer a cena em uma boate e da leitura adulta de um livro infantil, a obra tem quase duas horas, com mais de 10 cenas, boa parte desnecessária. Há momentos interessantes, como a brincadeira de duas "Alices", que fazem o "jogo dos erros" (dançam passos parecidos, propositalmente dessincronizados), ou o chá do chapeleiro (toda vez que ele coloca o chá na xícara, mexe a bailarina).

Trata-se de um humor quase infantil, mas que se perde para o pastelão quando estende a cena ou quando, em uma das cenas finais, faz uma brincadeira com "Thriller", ao som de Michael Jackson, usando os 6min43 que a música tem. E o pior: ainda há intervalo no espetáculo (parte da platéia foi embora). "O que estou fazendo aqui?" é a pergunta que fica durante a peça.

Divulgação
Coreografia "Alice" tem quase duas horas; duração afugenta a platéia em Joinville
Coreografia "Alice" tem quase duas horas; duração afugenta a platéia do Festival de Dança de Joinville (SC)

A jornalista Cristina Baldi viajou a convite da organização do evento

 

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