Ilustrada
21/07/2008 - 22h29

Bailarinas de Manaus cruzam país para participar da "Disneylândia da dança"

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CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)

São exatos 4.173 km que separam a capital do Amazonas da capital da dança brasileira. Mas atravessar o Brasil de Norte a Sul não é problema para quem tem uma paixão. É o caso das bailarinas do Studio de Dança Patrícia Marques, de Manaus (AM). Depois de tentar por três anos, enfim, o grupo foi classificado para participar da Mostra Competitiva do 26º Festival de Dança de Joinville (SC).

"Por duas vezes fomos selecionados para o palco aberto. Mas era muito caro ir sem poder competir", diz a diretora do grupo, Patrícia Marques. Criado há quatro anos, o grupo pratica dança de rua e apresenta no festival a coreografia "A Turma do Bairro", de Ricardo Andrade, do Grupo Dança de Rua do Brasil, de Santos (SP). O coreógrafo fez a obra especialmente para o grupo de Manaus apresentar em festivais.

Patrícia diz que as 15 bailarinas ficaram deslumbradas com a grandeza do festival. Ela já havia ido à Joinville como bailarina, antes de criar o grupo. Agora, trouxe suas alunas. "É o maior evento de dança do país. É uma vitrine. Não tem como não vir", afirma.

Divulgação
Bailarinas do Studio de Dança Patrícia Marques viajam de Manaus (AM) para Joinville (SC), onde se apresentam em festival de dança
Bailarinas do Studio de Dança Patrícia Marques viajam de Manaus para festival de dança em Joinville (SC)

Para a ida à Joinville o grupo contou com "paitrocínio", ou seja, os pais é que pagaram as despesas. E não foi pouco. Estima-se um gasto de R$ 3.000 por pessoa, entre passagem aérea, hospedagem e alimentação. O deslocamento foi pago diretamente pelos pais, e o restante do valor as meninas conseguiram com rifas, vendas de bolo, festas, feijoadas e outras artimanhas para angariar fundos.

"A Turma do Bairro" se apresentou na última sexta-feira na Mostra Competitiva, no Centreventos Cau Hansen. A obra mostrou o cotidiano de adolescentes em uma rua de um bairro. Além da mostra competitiva, o grupo irá mostrar a peça em sete apresentações, no palco aberto, que ocorre em diversos lugares da cidade, até o final do evento, dia 26.

"Joinville é a Disneylândia da bailarina e, para realizar o sonho de um filho, um pai faz qualquer coisa", afirma a coordenadora do grupo, Gabriela Dácio.

As bailarinas contam que, em maio, quando saiu a lista dos selecionados para concorrem nas competições do festival houve gritaria na escola. "Nossos pais sabem que era o nosso sonho", afirma Camilla Brasil, 13.

"A minha mãe ficou dizendo que eu não ia, por causa da escola", conta Louise Pascarelli, 12. Isto porque as férias de inverno dela e de outras sete das 15 bailarinas já acabaram.

A jornalista Cristina Baldi viajou a convite da organização do evento

 

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