Bailarinas de Manaus cruzam país para participar da "Disneylândia da dança"
CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)
São exatos 4.173 km que separam a capital do Amazonas da capital da dança brasileira. Mas atravessar o Brasil de Norte a Sul não é problema para quem tem uma paixão. É o caso das bailarinas do Studio de Dança Patrícia Marques, de Manaus (AM). Depois de tentar por três anos, enfim, o grupo foi classificado para participar da Mostra Competitiva do 26º Festival de Dança de Joinville (SC).
"Por duas vezes fomos selecionados para o palco aberto. Mas era muito caro ir sem poder competir", diz a diretora do grupo, Patrícia Marques. Criado há quatro anos, o grupo pratica dança de rua e apresenta no festival a coreografia "A Turma do Bairro", de Ricardo Andrade, do Grupo Dança de Rua do Brasil, de Santos (SP). O coreógrafo fez a obra especialmente para o grupo de Manaus apresentar em festivais.
Patrícia diz que as 15 bailarinas ficaram deslumbradas com a grandeza do festival. Ela já havia ido à Joinville como bailarina, antes de criar o grupo. Agora, trouxe suas alunas. "É o maior evento de dança do país. É uma vitrine. Não tem como não vir", afirma.
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| Bailarinas do Studio de Dança Patrícia Marques viajam de Manaus para festival de dança em Joinville (SC) |
Para a ida à Joinville o grupo contou com "paitrocínio", ou seja, os pais é que pagaram as despesas. E não foi pouco. Estima-se um gasto de R$ 3.000 por pessoa, entre passagem aérea, hospedagem e alimentação. O deslocamento foi pago diretamente pelos pais, e o restante do valor as meninas conseguiram com rifas, vendas de bolo, festas, feijoadas e outras artimanhas para angariar fundos.
"A Turma do Bairro" se apresentou na última sexta-feira na Mostra Competitiva, no Centreventos Cau Hansen. A obra mostrou o cotidiano de adolescentes em uma rua de um bairro. Além da mostra competitiva, o grupo irá mostrar a peça em sete apresentações, no palco aberto, que ocorre em diversos lugares da cidade, até o final do evento, dia 26.
"Joinville é a Disneylândia da bailarina e, para realizar o sonho de um filho, um pai faz qualquer coisa", afirma a coordenadora do grupo, Gabriela Dácio.
As bailarinas contam que, em maio, quando saiu a lista dos selecionados para concorrem nas competições do festival houve gritaria na escola. "Nossos pais sabem que era o nosso sonho", afirma Camilla Brasil, 13.
"A minha mãe ficou dizendo que eu não ia, por causa da escola", conta Louise Pascarelli, 12. Isto porque as férias de inverno dela e de outras sete das 15 bailarinas já acabaram.
A jornalista Cristina Baldi viajou a convite da organização do evento
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