Pais se mudam para Joinville para realizar sonho da filha de ser bailarina
CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)
Assim como no filme "Dois Filhos de Francisco", os pais da bailarina Amanda Gomes também apostaram no sonho dos filhos. No longa, o pai compra fichas telefônicas para que a música de Zezé di Camargo e Luciano toque nas rádios.
Na vida real, Polyana e Zeuxis Gomes deixaram Goiânia para viver em Joinville (SC) porque sua filha queria ser bailarina. Ela foi uma das selecionadas para a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Os pais mudaram de cidade e ficaram desempregados.
| Arquivo pessoal |
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| Sonho de Amanda era fazer parte da Escola do Teatro Bolshoi |
Amanda, a única filha do casal, entrou no balé clássico aos 7 anos. Dois anos depois, sua professora esteve no Festival de Dança de Joinville e levou a Goiânia um panfleto da escola russa. A menina ficou eufórica. Queria estudar na cidade catarinense. Os pais procuraram informações sobre a escola e inscreveram Amanda para a seleção. Naquele ano, foram 120 mil vídeos de todo o país e América Latina enviados para a escola. Ela foi uma das selecionadas.
"Desde pequena, eu pedia para entrar no balé", conta Amanda, hoje com 13 anos. A menina passou por três dias de provas. Foram 15 horas de carro de Goiânia a Joinville. Sem dinheiro para a viagem, os pais penhoraram jóias para pagar as despesas. Eles acompanharam a filha em todas as provas.
Católicos, ligavam todos os dias para a família em Goiás, pedindo orações e ouviam músicas do Padre Marcelo. "Quando chegamos a Goiânia, depois do resultado das provas, a Amanda disse que na última avaliação não ouvia música clássica. Em seu ouvido era Padre Marcelo quem cantava", diz o pai, emocionado.
| Divulgação | ||
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| Amanda começou no balé aos 7 anos; pais se mudaram de Goiânia para Joinville para realizar sonho da filha |
Quando o casal e a menina voltaram para Goiás, depois da seleção, fizeram uma reunião de família. "O que fazer?", era a questão. Eles não titubearam: pediram demissão e se mudaram para Joinville. "Eu não tive coragem de não vir", diz a mãe.
Durante três meses, a família toda ajudou no sustento da menina e do casal, até que eles conseguissem um emprego. Até hoje, Gomes não se recolocou no posto em que trabalhava (ele era gerente comercial), mas não se arrepende. Polyana é uma das fisioterapeutas do Bolshoi.
Alunos da escola fazem estágio na Rússia e alguns dos formados já estão fora do Brasil trabalhando. Os pais de Amanda ainda não sabem o que farão se um dia a menina for morar em outro país. "A gente sempre acompanha ela em tudo, mas também vive cada momento na sua vez. Quando chegar a hora é que vamos ver o que fazer", diz Gomes.
Casa
Os estudantes que passam na seleção da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil têm à disposição casas sociais. São três atualmente, bancadas por patrocinadores. Mas todas estão com a capacidade máxima. Os alunos que ingressarem em agosto terão de buscar outras alternativas. O resultado da audição sai na próxima segunda-feira (28).
A coordenadora pedagógica da escola, Meire Diógenes, diz que os estudantes ganham bolsa para fazer o curso e o Bolshoi sugere moradias, entre elas, pensões ou repúblicas estudantis. As casas subvencionadas têm lista de espera.
A jornalista Cristina Baldi viajou a convite da organização do evento
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