Campeão em Joinville, Conservatório do Rio ambiciona "nível internacional"
CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)
A quantidade de prêmios que o Conservatório Brasileiro de Dança, do Rio de Janeiro, obteve no 26º Festival de Dança de Joinville, talvez consiga dimensionar o tamanho da ambição do grupo. A escola levou 16 coreografias ao evento, recebendo premiação em 15 (apenas na Mostra Meia Ponta que não obteve). Mas o diretor do grupo, Jorge Teixeira, quer mais. Quer voltar à cidade como convidado. Qualidade para isso não falta, tanto que o grupo foi eleito o melhor do festival.
A escola tem pouco mais de um ano de atividade, mas é fruto de 19 anos de experiência de Teixeira em outras academias de dança (a ele pertence também a marca da Companhia Brasileira de Ballet, que dançou Don Quixote, na praça Nereu Ramos). Há 17 anos, paralelamente, ele faz um trabalho social (Ciranda Carioca). Dos 65 bailarinos do grupo que estivarem em Joinville, 38 eram deste projeto.
A quantidade de premiação, segundo Teixeira, é resultado de muitas horas de treino. O curso de formação da escola exige oito horas diárias, de segunda a sábado. Ou seja, desde a formação os bailarinos treinam como profissionais. "Sempre tive o sonho de montar uma escola no Brasil com nível internacional", diz Teixeira.
"Vim para fortalecer a marca para conseguir patrocinadores", afirma Teixeira, explicando por que trouxe ao festival tantas coreografias.
| Amir Sfair Filho/Divulgação | ||
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| Grupo se destacou também em coreografias livres de balé clássico, como em "Concerto para violino nº 2" |
Além da competição, o Conservatório trouxe sua companhia profissional, que dançou Don Quixote, nos palcos abertos (as coreografias apresentadas na rua também passam por seleção, mas não são premiadas).
"Assim como tem a mostra contemporânea, Joinville podia ter uma mostra de balé clássico. Eu quero voltar para cá como convidado", disse.
Além do investimento técnico e físico, há o financeiro: apenas na primeira premiação (com La Sylphide) foram investidos R$ 18 mil em figurino, outros R$ 25 mil com Don Quixote. A escola gastou em hospedagem, transporte e alimentação R$ 44 mil. O investimento é pago com premiações, tanto as de Joinville quanto em outros festivais (o que ele leva para a cidade catarinense concorre em outros), com rifas, festas, e o ganho que Teixeira tem como coreógrafo de uma escola de samba no Rio.
| Amir Sfair Filho/Divulgação | ||
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| Com "Bodas de Aurora" o Conservatório do Rio ganhou um de seus 15 prêmios |
Pelas apresentações na cidade catarinense, o grupo teve bailarinos seus convidados a dançar no Paraguai, no ano que vem, e em outubro deste ano em um festival em Pequim, entre outros.
Para Teixeira, apesar de todos os frutos que o festival catarinense pode trazer, ainda há alguns senões: os locais de ensaios e as parcerias. "Joinville precisa amadurecer e ter a intenção de dar oportunidades de os bailarinos saírem daqui com propostas profissionais para companhias", diz. Ele refere-se ao fato de grandes festivais internacionais de dança oferecem aos premiados bolsas em escolas ou até estágios em companhias.
| Alceu Bett/Divulgação | ||
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| Trio de bailarinos conseguiu mais um primeiro lugar ao grupo carioca |
Confira os prêmios do Conservatório em Joinville:
- Melhor grupo
- quatro primeiros lugares para o juvenil: três em repertório (conjunto, variação masculina e pas-de-deux) e um em clássico de conjunto
- terceiro lugar em repertório, com a variação feminina (juvenil)
- cinco premiações na categoria sênior: segundo lugar em conjunto, variação feminina, grand pas-de-deux e o terceiro lugar da variação masculina. Em clássico livre, segundo lugar pelo conjunto
- cinco premiações para o grupo avançado: primeira colocação em clássico de repertório no grand pas-de-deux e no conjunto e a segunda colocação pela variação masculina. No clássico livre dois primeiros lugares, no trio e no conjunto
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