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28/07/2008 - 19h51

"Ganha-pão" de bailarina é premiado em Joinville

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CRISTINA BALDI
Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)

No último ano, o ganha-pão da bailarina Érika Rosendo foi a obra "Em solo", que ela levou para diversos festivais do país. Mas só neste sábado (26) a jovem conseguiu mais que isso. Além do primeiro lugar na categoria avançado de dança contemporânea, foi eleita a melhor bailarina do 26º Festival de Dança de Joinville, o maior e mais importante do Brasil.

Amir Sfair Filho/Divulgação
Érika Rosendo foi eleita a melhor bailarina do 26º Festival de Dança de Joinville
Érika Rosendo foi eleita a melhor bailarina da 26ª edição do Festival de Dança de Joinville

"O festival foi uma vitrine para mim. Estou fazendo contatos para dar cursos e montar trabalhos em outros estados", diz. Para o segundo semestre deste ano, estará no projeto "Auto-retrato", com Jussara Xavier, em Joinville (SC). Apesar da carreira solo, ela quer também começar a se preparar para audições em companhias. "Acho que é importante viver este outro lado".

Érika começou dançar aos quatro anos, impulsionada pela mãe. "Mas aos poucos fui pegando gosto". Em 2006, foi a única selecionada no Bolshoi para a escola contemporânea. Saiu de Natal e foi para Joinville, onde vive desde então. Após terminar o curso, passou a usar o solo para se sustentar. Pegava dinheiro emprestado de amigos e se inscrevia em festivais em estados próximos a Santa Catarina ou em cidades catarinenses. Com os prêmios, pagava os amigos e sobrevivia.

O trabalho apresentado no festival foi criado há dois anos, ainda em Natal, quando ela participou do Núcleo Coreográfico, projeto que incentivava "intérpretes-criadores" (bailarinos que criam suas próprias coreografias). Neste período de investigação do corpo, Érika se focou nas articulações. "Eu pensei em uma bailarina de caixinha de música, que é toda regrada. Peguei a forma e desconstruí".

A bailarina acredita que a premiação é o reconhecimento de seu trabalho, mas confessa que não esperava. "Não pensava que ia ter tanta repercussão. Mas para dançar é preciso, além do movimento, alma. Isto está comigo e se chegou até as pessoas é porque eu estava completa", diz. Com 22 anos, ela ainda tem muitos outros prêmios e conquistas a ganhar.

 

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