Relembre os problemas de Gilberto Gil no Ministério da Cultura
da Folha Online
O cantor Gilberto Gil, que anunciou hoje sua saída do Ministério da Cultura, colecionou diversos atritos quando estava à frente da pasta. Ele estava no governo desde o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em mais de cinco anos no governo, Gil também tentou conciliar a vida de ministro e músico, apresentando-se até na sede da ONU, em Nova York, e em novela da Globo. Em 2007, o jornal norte-americano "The New York Times" aproveitou uma visita do ministro aos EUA para elogiar o projeto oficial de incentivar, nas periferias, a produção de formas de arte alternativas, como grafite e rap.
Relembre alguns casos:
Ancinav
O governo queria criar a Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual) para substituir a Ancine (Agência Nacional do Cinema). O órgão seria responsável por regular, fomentar e fiscalizar o setor audiovisual, mas recebeu críticas de artistas, que apontavam riscos de dirigismo, restrição à liberdade de expressão e interferência no direito à informação. Em 2005, Gil foi porta-voz do esvaziamento da proposta e do recuo do governo.
| Mary Altaffer/AP |
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| Em 2003, Gil cantou na ONU; o show lembrou morte do diplomata Sérgio Vieira de Mello |
Lei Rouanet
Gil enfrentou questionamentos sobre a Lei Rouanet. Representantes do teatro fizeram protesto contra a falta de apoio da classe, em março deste ano.
Museus
Roubos em museus colocaram em xeque a política do Ministério da Cultura para museus. O governo teve de liberar verbas para a área.
Pênis
Em 2006, Gil criticou o Banco do Brasil por censurar uma obra que mostrava dois pênis feitos com terços religiosos. Na opinião do ministro, o banco público violou a Constituição ao decidir retirar o trabalho de Márcia X da mostra "Erotica - Os Sentidos da Arte".
Caetano
Em 2007, Gil recebeu críticas de Caetano Veloso sobre a lei do direito autoral. Caetano se queixou de Gil em relação à falta de "cuidado" ao falar sobre o uso de licenças alternativas para produtos culturais e disse que isso pode "criar uma sensação de vale-tudo".
| Renato Rocha Miranda/TV Globo |
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| Em 2004, Gil fez show no final da novela "Celebridade", da Globo |
Greve
Em 2007, o Ministério da Cultura parou devido a uma greve de servidores. A paralisação foi de 15 de maio e 21 de julho do ano passado.
Saída antecipada
Gil ameaçou sair do Ministério da Cultura em outras ocasiões. Isso gerou expectativa no setor, pois já se sabia que Gil não tocaria os projetos. No ano passado, ele já falava da intenção.
TV digital
Em 2006, Gil chegou a trocar insultos com o ministro das Comunicações sobre o padrão da TV digital.
Teatro
Em 2005, Gil foi criticado por Paulo Autran e Marco Nanini. Os atores reclamavam da falta de investimentos no teatro.
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Agora é tarde.
Já foi muuuuito "politicamente incorreto".
Deveria sim ter se limitado à brilhante carreira musical.
Com sua omissão no ministério, a perda foi irreparável para a Cultura, de Janeiro de 2003 a Julho de 2008.
Não se lutou nem por prestígio da pasta nem por recursos.
E nós, contribuintes, eleitores e cidadãos brasileiros pagamos por cada minuto dessa omissão...
...
Teria sim sido bem mais adequado Gil se abster de fazer esse comentário.
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