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Ilustrada
31/07/2008 - 09h13

Masp exibe expressionismo alemão

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SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo

Na noite de Réveillon, virada para o século 20, Paula Modersohn-Becker abandonou o povoado alemão de Worpswede para viver parte da vida que chamou de "celebração curta e intensa" em Paris. Lá, viu os quadros de Van Gogh, Gauguin e Cézanne -os deste último, como escreveu em seu diário, eram como uma tempestade.

A artista alemã faria depois constantes viagens entre a capital francesa e o vilarejo de Worpswede, onde se radicara com outros cinco artistas em busca de maior contato com a natureza. Por isso, foi a artista que serviu de ponte entre o impressionismo francês de Van Gogh, que também preferia o campo à cidade, e o expressionismo alemão de Otto Dix e George Grozs, nos anos 20.

Danilo Verpa/Folha
Texto: Fachada do Museu de Arte de São Paulo, o Masp)
Masp exibe mostra do expressionismo alemão até 5 de outubro

São 19 obras de Modersohn-Becker ao lado de outros 73 trabalhos de artistas do chamado grupo de Worpswede que o Masp exibe a partir de hoje.

"É uma semente de mudança que depois explode com grande força 20 anos mais tarde na Alemanha", resume o curador do Masp, Teixeira Coelho.

Num momento de crescimento descontrolado das cidades, o início do século 20 viu entre artistas e intelectuais uma repulsa à vida urbana e tentativas de retorno ao campo, começando pela escola paisagística de Barbizon, na França, que inspirou comunidades parecidas em toda a Europa.

Worpswede, na Alemanha, concentrou Modersohn-Becker, seu marido Otto Modersohn, Fritz Overbeck, Heinrich Vogeler, Fritz Mackensen e Hans am Ende, todos com obras agora no Masp.

Também migrou para Worpswede o poeta alemão Rainer Maria Rilke, que ajudou a dar visibilidade ao grupo de artistas. A poesia que escreveu lá parecia justificar o isolamento: "Os caminhos e cursos d'água nos levam ao horizonte, onde começa um céu de variedade e imensidão indescritíveis, refletido em cada folha".

Mas a força motriz foi mesmo Modersohn-Becker, que avançou no traço rumo à modernidade, incorporando as formas simples e a construção a partir do volume -técnica que alçou Cézanne à condição de gênio- à arte alemã.

A gravura "A Mulher com o Ganso" (1902) é o exemplo mais claro desse avanço. A ave é uma mancha branca compacta sobre um fundo negro, em contraste com a mulher -por sua vez, um volume cúbico.

"Acho que todos estão chocados comigo, mas preciso continuar", escreveu Modersohn-Becker à irmã, Milly, sobre a reação dos contemporâneos a seus trabalhos. "Não posso recuar, vou adiante, só que no meu espírito e na minha pele."

Paula Modersohn-Becker e os Artistas de Worpswede
Quando: de ter. a dom., das 11h às 18h; qui., das 11h às 20h; até 5/10
Onde: Masp (av. Paulista, 1.578, São Paulo; tel. 0/xx/11/3251-5644; classificação livre)
Quanto: R$ 15; grátis às terças

 

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