Atores seminus mostram humanidade em estréia paulistana
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
Com os corpos enrolados apenas por plástico transparente, os três atores de "E Nós Que Nem Sabemos" surgem seminus no espetáculo do grupo Moinho, de Ouro Preto (MG). Em curta temporada neste fim de semana, a trupe se apresenta pela primeira vez em São Paulo, a preços populares.
| Carolina Panini /Divulgação |
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| Mateus Schimith e Eduardo Batista atuam em palco giratório da peça |
A peça foi um dos destaques do Festival de Curitiba, realizado em março deste ano na capital paranaense.
"A idéia sempre foi o desnudamento. Buscamos sair da ilusão teatral e falar sobre o que tem dentro da gente, se abrir para o público. O figurino, além da idéia de nudez, traz também a idéia de escamas, de uma pele extra que a gente vai perdendo ao longo da peça, à medida que deixamos sair as coisas que nos sufocam", disse à Folha Online o ator Mateus Schimith.
Ele divide o palco da sala Crisantempo, na Vila Madalena, de sexta (8) a domingo (10), com os colegas Sandra Parra e Eduardo Batista, sob direção de Maurílio Romão. O grupo é apoiado pela Universidade Federal de Ouro Preto, de onde saíram todos eles --Parra era professora e os outros, alunos.
Na montagem, além do pouco figurino dos atores, o cenário é outra coisa que chama atenção da platéia desde o primeiro momento. Ele é composto por um palco giratório subdivido em quatro partes por paredes transparentes. Os atores ocupam três delas, sendo que uma fica vazia.
"É um espaço convidativo para o público, caso tenha coragem. Nada mais é do que um convite", explicou Schimith.
Com a artimanha do palco giratório, os atores vão mudando de lugar ao longo da peça. A cada instante, buscam novos olhares na platéia, num diálogo de intensa proximidade, sem ser invasiva.
À medida que dizem os textos de forma coloquial, como se revelassem o que passam em suas mentes, o elenco também pinta com as mãos as divisórias. Para tanto, usam as cores vermelho, verde e azul --cada qual escolhida por cada ator durante o processo criativo, que durou um ano e meio.
A pintura transforma o espetáculo numa fusão de artes dramáticas com artes plásticas. A solidão humana é o elemento que perpassa toda a encenação, que pode ser resumida em uma das frases do texto coletivo: "É no sentido contrário que a gente se encontra".
"E Nós Que Nem Sabemos"
Quando: sexta (8) e sábado (9), às 21h; domingo (10), às 19h
Onde: sala Crisântemo (rua Fidalga, 521, Vila Madalena, região oeste, São Paulo; tel.0/xx/11/3819-2297; classificação 16 anos)
Quanto: R$ 10 (inteira); R$ 5 (meia)
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