Pinacoteca reúne obras do art déco brasileiro
SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo
Nos anos 20 e 30, o art déco, do francês "arts décoratifs", ocupou em peso salas e quartos da elite. Depois, desapareceu. O mobiliário de teor futurista, painéis de veludo e tapeçarias de estampa geométrica foram objeto de desejo da burguesia e hoje não passam de relíquia.
| Divulgação |
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| "Índias" (1945), painel de veludo com clara influência indigenista feito por Regina Graz, nome importante do art déco brasileiro |
Agora, 38 peças da coleção de Fulvia e Adolpho Leirner estão na Pinacoteca do Estado, um apanhado significativo do que foi o art déco no Brasil. Movimento surgido depois da onda de formas orgânicas do art nouveau na Europa, o déco se apropriou do embalo futurista e deu ao design de mobiliário e projetos gráficos --cartazes e revistas-- um verniz cubista.
"Mulher com Galgo", painel de veludo de Regina Graz, logo na entrada do espaço, consegue resumir bem a idéia. As formas sincopadas e geométricas lembram os experimentos de Giacomo Balla no futurismo italiano e a proposta de aliar arte e funcionalidade propalada pela escola Bauhaus, na Alemanha.
Regina Graz, aliás, era uma Gomide, família de Antônio Gomide, nome central do déco brasileiro, e herdou o sobrenome de ar estrangeiro do marido John Graz, nome central do déco suíço, quando para lá se mudou. O casal se transferiu para o Brasil e, por aqui, ditou as regras e tendências do estilo.
Uma sala inteira com móveis de John Graz, dos anos 30, foi montada na Pinacoteca. Suas cadeiras misturam ferro e madeira, marca da época.
Além do mobiliário, o design gráfico do período ilustra essa tendência modernizante. Numa charge de Belmonte, um homem e uma mulher aparecem num carro em frente à casa modernista de Gregori Warchavchik, na Vila Mariana.
Um estudo de J. Carlos para a capa da revista "Fon Fon" mostra uma São Paulo de arranha-céus e desfiles elegantes pelas calçadas da metrópole. A capa da "Para Todos", encomendada ao mesmo chargista, traz uma loira de traços esvoaçantes, como se queria pensar a época.
O ARTDECO BRASILEIRO
Quando: de ter. a dom., das 10h às 18h; até 5/10
Onde: Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, região central, tel 0/xx/11/3324-1000; livre)
Quanto: R$ 4; grátis aos sábados
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