"O Poeta e as Andorinhas" apresenta Oscar Wilde às crianças
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
A dramaturgia do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900) é recheada de temas nada infantis, tais como vaidade, amor, morte, crueldade e desigualdade social. Mesmo assim, a produtora teatral Cintia Abravanel --filha mais velha de Silvio Santos-- resolveu empenhar seu Teatro Imprensa na montagem de sua oitava produção: "O Poeta e as Andorinhas", dirigida por Paulo Ribeiro e baseada na obra de Wilde.
| João Caldas/Divulgação |
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| Arthur Berges vive Dorian Gray em "O Poeta e as Andorinhas", peça para o público infantil |
A peça estreou em São Paulo no último dia 10 e fica em cartaz aos sábados e domingos, para o público geral, além das sessões gratuitas para estudantes de escolas públicas, realizadas às quartas e sextas pelo Centro Cultural Grupo Silvio Santos, que completa 50 anos em 2008. Cerca de 500 mil alunos e professores já participaram do projeto.
Esta não é a primeira vez que uma andorinha faz a cabeça de Cintia Abravanel, à frente do Imprensa há 16 anos. Seu teatro já montou "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" (2003), dirigido por Vladimir Capella. A adaptação do livro homônimo de Jorge Amado ganhou dois prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) --melhor espetáculo infantil e melhor direção-- e revelou a atriz Amanda Acosta, na pele da andorinha. Mais tarde ela se consagraria como a protagonista do musical "My Fair Lady" (2007).
"Costumo dizer que todos os projetos que realizo servem, de alguma forma, ao propósito de trazer algum ensinamento. Acho que isso acontece com nosso Oscar Wilde para crianças. O espetáculo revive o mito de Narciso, e o traz para nossos dias", diz Abravanel.
Os 15 atores no elenco dramatizam textos de Wilde, como o romance "O Retrato de Dorian Gray" --no qual um belo jovem se recusa a envelhecer-- e os contos "O Rouxinol e a Rosa", "O Príncipe Feliz" e "O Aniversário da Infanta". As histórias são conduzidas pelas andorinhas. Também é mostrada de forma leve e sutil a vida triste e melancólica do escritor, que chegou a ser preso por ser homossexual. A produção enche os olhos no cenário de JC Serroni e nas mais de 50 roupas do figurino assinado por Leonardo Diniz.
Apesar dessa riqueza na produção, o elenco tem poucos destaques. Alice Reis é um deles. A atriz imprime um bonito trabalho de corpo na interpretação de uma andorinha apaixonada pela estátua de um príncipe que busca fazer justiça social em sua cidade. Já Arthur Berges deixa a desejar com uma interpretação pobre para um personagem tão desafiante como o jovem Dorian Gray.
Oscar Wilde
Oscar Wilde nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1854. Escritor, poeta, ensaísta e crítico de arte, ele ganhou reconhecimento com o êxito de suas peças teatrais, contos e do consagrado romance "O Retrato de Dorian Gray". A obra do autor inclui ainda a novela "O Fantasma de Cantervillee", além das peças "Salomé", "Um Marido Ideal", e "A Importância de Ser Prudente".
O escritor teve sua carreira abalada após assumir um romance com um jovem nobre, razão pela qual permaneceu preso por dois anos. Na prisão, ele escreveu o texto "Balada do Cárcere de Reading". Depois de liberto, o escritor mudou-se para Paris, onde adotou o pseudônimo Sebastien Melmoth. Oscar Wilde morreu de meningite em 30 de novembro de 1900, esquecido e pobre.
"O Poeta e as Andorinhas"
Quando: sábado e domingo, às 16h; até 30 de novembro
Onde: Teatro Imprensa (r. Jaceguai, 400, Bela Vista, São Paulo; tel. 3241-4203; classificação 9 anos)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada para estudantes, aposentados e professores)
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