Ilustrada
18/08/2008 - 09h21

Artista gaúcho cria naturezas artificiais em novos trabalhos

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SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo

As últimas 15 folhas virgens de fórmica padrão pau-ferro, popular nos anos 60, estão no ateliê de Daniel Acosta. Filho de marceneiro, o artista gaúcho usa essas lâminas que imitam madeira em quase todas as obras que faz, agora com uma vontade figurativa.

Estampam os mosaicos de fórmica que expõe na Casa Triângulo, em São Paulo, um leão, um tigre, um elefante e uma onça --todos copiados de um guarda-sol de um parente que partiu do Rio Grande do Sul em pleno inverno, com o adereço praiano debaixo do braço, para que Acosta pudesse fotografar os bichos aqui.

"São pequenas naturezas que eu trago para dentro da cidade", afirma Acosta. "Eu faço uma ironia com a idéia de ligar e encomendar uma paisagem portátil por telefone." Quem viu a última individual de Lia Chaia na galeria Vermelho talvez tenha a sensação de déjà vu ao ver essas obras. Lá, com fotografia, a artista também questiona a relação do homem com uma natureza domesticada.

"A gente é muito amigo, temos uma sintonia forte", reconhece Acosta. Mas os bichos de seu guarda-sol, depois de fotografados, são projetados na fórmica recortada a laser e formam um mosaico, em que cada detalhe corresponde a uma mancha de cor diferente. É um processo semelhante ao da cópia do desenho da embalagem de um bombom em "Burningscape", de 2004.

No entanto, agora, ao contrário da abstração de obras anteriores, são bichos reconhecíveis, numa montagem de cores que remetem à natureza codificada pela experiência da cidade -as cores artificiais têm nomes do tipo azul lago, verde bosque.

"No lugar da madeira, que tem cheiro, poros e insetos, é resina artificial", conta Acosta. Por isso, chama atenção o que mais se distancia da experiência urbana: o leão selvagem na pose clássica que adota em desenhos infantis e embalagens.

Seria como o leão arquetípico da obra de René Magritte, o artista que, além de muitos leões, pintou um cachimbo e escreveu embaixo: "Isto não é um cachimbo".

Outra mostra

Valdirlei Dias Nunes, outro artista em cartaz na Casa Triângulo, também pensou em Magritte. No andar de cima, ele expõe o que parece ser uma caixa de madeira, mas não é. São chapas de compensado pintados com um padrão que imita madeira, em um esforço representativo e nada formalista.

Daniel Acosta e Valdirlei Dias Nunes
Quando: de ter. a sáb., das 11h às 19h; até 6/9
Onde: Casa Triângulo (r. Paes de Araújo, 77, São Paulo; tel. 0/xx/11/3167-5621; livre)
Quanto: entrada franca

 

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