Ilustrada
18/08/2008 - 11h39

Ney Matogrosso seduz platéia em despedida paulistana

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MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online

Na platéia do HSBC Brasil, pouco antes da 22h do último sábado (16), um homem comenta, preocupado: "Será que vai atrasar muito? No show do João Gilberto ontem esperaram mais do que uma hora". Comparado ao músico baiano, Ney Matogrosso atrasa pouquíssimo.

Ary Brandi/Divulgação
Ney Matogrosso
Ney Matogrosso faz show com canções de nomes consagrados e nova safra da música

O cantor entra no palco às 22h07, para encerrar a turnê paulistana de "Inclassificáveis", em sua segunda apresentação extra, justificada pela grande procura por ingressos. O show que mistura ousadia com rock virou DVD gravado no Rio em janeiro deste ano.

Sob faniquitos da platéia, as cortinas se abrem e Ney surge sentado em um sofá, cantando "O Tempo Não Pára", de Cazuza e Arnaldo Brandão, que abre o show. Mas logo se levanta, deixando que o público veja o figurino espalhafatoso de Ocimar Versolato --com direito a penas pretas, azuis e roxas--, e que faz com que o intérprete seja o provocativo Ney de sempre, como nos velhos tempos de "Secos e Molhados".

Durante o show, Ney prefere apenas cantar e não conversa com a platéia nada além do "Obrigado. Boa noite!", dito após o aplauso que se segue à primeira música. Ele continua com "Mal Necessário", de Mauro Kwitko. Durante a música, encena uma espécie de vôo com seus penachos na cabeça e nas mãos. A platéia delira.

Ao longo da apresentação, Ney vai se despindo pouco a pouco de parte do figurino, além de trocar os acessórios, todos dispostos no sofá ao centro do palco, que se transforma numa espécie de guarda-roupa. A cada troca, a platéia grita. Os mais afoitos o chamam de "gostoso". Ney gosta.

Além de fitar os olhos no cantor, uma parte da platéia também não tira os olhos do guitarrista Júnior Meirelles, que também faz bonito nos vocais. A banda ainda tem Carlinhos Noronha no baixo, Sérgio Machado na bateria, DJ Tubarão na percussão e pick up, Felipe Roseno na percussão e Emilio Carrera no piano e teclado --o ex-colega de Secos e Molhados também assina a direção musical do show.

Ney desfila canções de gente tarimbada e novos nomes da música popular, tendo como pano de fundo um cenário comedido do carnavalesco Milton Cunha. O repertório tem composições de nomes como Dan Nakanawa, Pedro Luís, Fred Martins, Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Edu Lobo e Itamar Assumpção.

Em sua versão para "Divino Maravilhoso" --música de Caetano que apresentou Gal Costa ao grande público no Festival da Record de 1968--, que encerra o show, Ney prefere não gritar o "Uau!" que a cantora fazia após o verso "Atenção para o refrão". A parte da platéia que conhece a letra da versão de Gal grita por ele.

No bis pedido à exaustão, Ney volta para cantar junto com a platéia o sucesso de Luciana Melo "Simples Desejo" e depois emendar com "Pro Dia Nascer Feliz", canção de Fejat e Cazuza que gravou em 1983 e ajudou a impulsionar a carreira do Barão Vermelho. Faz questão de cantar pertinho do público, que corre pulando para a beira do palco com suas câmeras digitais e celulares.

Enquanto um grupo se concentra em Ney, um outro se dirige para o canto do palco onde está o guitarrista. Júlio Meirelles responde aos beijinhos e piscadelas com um sorriso largo. No fim, dá a palheta para uma fã, antes de ir embora e as cortinas se fecharem de vez.

Cristina Granato/Divulgação
Ney Matogrosso canta no show "Inclassificáveis"
Cantor Ney Matogrosso canta com figurino de Ocimar Versolato no show "Inclassificáveis"; por conta da grande procura por ingressos em São Paulo, o intérprete fez duas sessões extras no HSBC Brasil
 

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