Publicidade

Ilustrada
26/04/2004 - 09h21

Festival Skol Beats tem 17 horas de calor e falta d'água

Publicidade
da Folha de S.Paulo

Ao contrário do slogan do patrocinador da "festa mais redonda do planeta", em muitos aspectos, o Skol Beats --que reuniu 49 mil pessoas de sábado a ontem no Anhembi, em São Paulo-- desceu quadrado.

Não foram poucas as dificuldades de quem tentou se divertir, entre as 16h de sábado e as 9h de domingo. Filas, espaço apertado entre as tendas em que os DJs se apresentavam, som baixo, falta temporária de água e de cerveja, além do cancelamento de última hora de uma das principais atrações, o DJ britânico Sasha marcaram a quinta edição da festa.

Dentro e fora do Anhembi, as filas foram o principal problema. Nos horários de pico do Skol Beats, entre as 22h e 1h, quem queria entrar na festa levava até uma hora para chegar às catracas.

No caso dos estudantes, a fila era ainda pior. Eles podiam usar apenas uma das três entradas designadas para o público, o portão 30, e chegavam a esperar até três horas. "Fiquei três horas na fila. Estava tudo desorganizado e ninguém dava informações. Acabei pegando uma fila errada", disse o estudante Ricardo Sérgio, 18.

O casal de estudantes Milton Telles Júnior 21, e Ana Paula Silva, 25, chegaram ao Skol à 0h e só conseguiram entrar às 2h da manhã. "Foi tudo muito desorganizado. A revista era demorada", disse Ana Paula.

Não bastasse a demora da fila, problemas com a catraca eletrônica também atrasaram o festival. Em uma das panes presenciadas pela reportagem da Folha, às 23h, as catracas do portão 30 ficaram fechadas por 20 minutos.

Outro problema, sobretudo para as mulheres, foram as filas nos banheiros. Mesmo com 170 cabines e 160 banheiros fixos, a demora chegava a 30 minutos "Era um desespero pensar em ir ao banheiro. Peguei filas de meia hora, e o banheiro era um lixo, você entrava e ouvia as meninas gritando de nojo. A solução foi arrumar um lugar "alternativo'", disse a ceramista Flávia Del Pra, 31.

Por volta das 3h, começou a faltar cerveja e água nos bares do Sambódromo. "Comprei vários tíquetes de cerveja para não ter de enfrentar fila. Quando fui buscar minha cerveja [por volta das 3h], eles diziam que tinha acabado", disse Henrique Mariotto, 29, tradutor. Também pouco antes das 4h, a reportagem da Folha percorreu todo o percurso de bares, de um lado a outro do Sambódromo, sem encontrar uma garrada de água sequer. Só encontrou água de novo às 4h30.

Repetiu-se, com o sistema de som e posicionamento das tendas, problemas ocorridos no ano passado. Com exceção da tenda Movement, de drum'n'bass, as outras três tendas, além do palco principal, tiveram problemas. O DJ Anderson Noise, que tocou na Bugged Out!, teve de interromper seu set devido a falhas na aparelhagem; no mesmo local, o público em massa gritava "Aumenta! Aumenta!" durante a apresentação do paulista Murphy. No palco principal, o canadense Richie Hawtin, que encerrou o evento, mostrou-se irritado com a baixa potência do sistema de som.

Mesmo com esses problemas, do ponto de vista da segurança, o Skol Beats transcorreu sem incidentes graves. A Polícia Militar registrou apenas oito ocorrências, entre as principais, brigas, furtos e uma apreensão de arma sem porte nas imediações do Anhembi. Neste ano, 2.100 PMs e 1.950 seguranças particulares entraram em operação. O mesmo número de ocorrências foi anotado pela Polícia Civil que apreendeu pílulas de ecstasy e porções de maconha e de cocaína de usuários. Nenhum caso de tráfico foi configurado.

Outro lado

Segundo o diretor artístico do Skol Beats, Luiz Eurico Klotz, "os problemas não foram grandes. Em eventos desse porte podem acontecer problemas como cerveja quente e filas em banheiro, mas nada que fosse tema de um reporte sério. Sou responsável sobre a parte artística, não sei detalhes sobre filas", disse. Procurada pela reportagem, a assessoria do evento não foi encontrada no domingo para comentar os problemas.

Especial
  • Programe-se antes e acompanhe o Skol Beats 2004
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca