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23/08/2008 - 21h41

Madonna inicia turnê mundial com show no Reino Unido

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PATRICIA RODRÍGUEZ
da Efe, em Cardiff (País de Gales)

Provocadora, dura, intimista, brincalhona e muito sexy, aos 50 anos, uma Madonna com mil faces e em ótima forma se apresentou neste sábado em Cardiff (Reino Unido) mais jovem que nunca e deixou boquiabertos os milhares de fãs que se renderam ao pontapé inicial da turnê "Sticky & Sweet".

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Madonna ainda não encontrou substituta à altura e deixou isso bem claro. A diva já não recorre à pornografia, não finge que se masturba no palco nem provoca o clero. A cantora exibe agora seu eu mais atlético: salta, se contorce em movimentos impensáveis e se transforma em boxeadora.

Com contornos vertiginosos ao ritmo do techno-pop, do piano, do violino ou de qualquer outro e com vários modelos exuberantes, a cenografia e a coreografia da cantora deixaram em êxtase o Millennium Stadium. Em grande estilo. Ao mais puro estilo Madonna.

Não há dúvida de que meio século e três filhos não conseguiram reduzir, nem um pouco, o vigor inesgotável da cantora americana.

Reuters/Luke MacGregor
Primeiro show da turnê mundial da cantora Madonna ocorreu neste sábado
Primeiro show da turnê mundial da cantora Madonna ocorreu neste sábado

Com um corpo de dar inveja, esculpido à base de intermináveis sessões de ginástica e ioga, o furacão Madonna se apresentou durante duas horas eletrizantes no Millennium.

O show começou com um atraso de meia hora, mas o público perdoa tudo o que essa diva faz.

A apresentação começou com "Candy Shop", do último álbum, "Hard Candy", que contou com um preâmbulo audiovisual muito ao gosto da rainha: várias telas sobrepostas em forma de cubo, jogos digitais cheios de "guloseimas" elétricas.

Luke MacGregor /Reuters
Madona canta e dança durante abertura da turne "Sticky & Sweet"
Madona canta e dança durante abertura da turne "Sticky & Sweet"

Aí aparece uma Madonna vestindo imponentes botas pretas e puro músculo com clara inspiração 'dominatrix'. Aqui, sua face brincalhona e dura.

Sempre acompanhada de uma escolta de dançarinos, tocou em seguida "The Beat Goes On" com a presença virtual nas telas de fundo de Pharrell William.

Também não faltou a Madonna mais decadente: a que passeava em um lustroso conversível branco, ao lado do rapper Kanye West (que a acompanhou virtualmente).

Com "Human Nature", Madonna exibiu o vídeo musical gravado com Britney Spears, que perde os nervos trancada em um elevador, vestida com um casaco preto.

Até então, a artista aquecia o ambiente.

Com um público variado, no qual viam-se muitos chapéus de cowboy rosa, grupos de mulheres de 30 anos e sua legião de fãs gays, causou frenesi com uma referência aos anos 90 com "Vogue", precedida pelo tique-taque que encerra "4 Minutes".

Um remix de "Die Another Day", com imagens de uma Madonna atleta, boxeadora, deram passagem, então, à segunda parte do espetáculo. Com "Old School", o nome deste ato, mais surpresas pela frente.

Ela colocou seus dançarinos para pular e se apresentou ao ritmo do clássico "Into The Groove" com movimentos de "pole dancing" (dança do poste).

Aí sim, com nova mudança de imagem e emoldurada em desenhos em movimento. Neste momento, a diva falou com o público: "'Vocês têm algo a dizer? Preciso do seu apoio. Estão prontos?".

Em seguida, músicas como "Heartbeat" e "Borderline", nas quais dedilhou acordes com uma guitarra de um vermelho intenso e vestindo um short minúsculo, como aqueles usados no colégio.

Ela também interpretou outro novo single, "She's Not Me", o qual dançou com movimentos quase contorcionistas em frente a uma série de fotografias suas de há uma década. Fechou com um single bastante conhecido: "Music".

A Madonna cigana se deixou ver na terceira parte do espetáculo, na qual a diva mostrou seu lado mais eclético.

Após uma melódica interpretação de "Devil Wouldn't Recognize You", a Madonna hispânica cantou "Spanish Lesson" vestindo seus dançarinos de monges. Tudo para não decepcionar os milhares de fãs.

A diva exibiu sua faceta mais nômade com "Miles Away", homenageando a vida dos ciganos e percorrendo em imagens a geografia mundial, passando por Índia, Madri, Moscou...

Ela transformou o palco em uma quadrilha com "La Isla Bonita", ajudada por três músicos romenos. No entanto, desta vez foi uma versão muito mais cigana do famoso tema, com violinos, guitarra espanhola e toques balcânicos na qual também chegou a falar um "ándele" mexicano ao ritmo de palmas.

Este foi o aspecto mais folclórico do show, que concluiu com uma Madonna mais mole e vulnerável, a que buscou sua faceta mais calma cercada de velas com "You Must Love Me".

Se alguém se atrevesse a insinuar que a "rainha do pop" não inova, a reta final do concerto variou de temática, dando passagem a um forte sabor futurista e marcada influência japonesa. Sempre, claro, perante a aprovação de seus fiéis.

Claro, nem vestígio da Madonna com prazo de validade vencido como afirmam as más línguas, as quais criticam a cantora que potencia com insistência seu lado mais sexy "pela sua idade".

Não faltaram, claro, as imagens recorrentes da americana, com as quais se empenha em conscientizar o planeta com trechos de países em conflito, de meninos-soldado, de políticos. Seu lado mais ativista, que terminou com a imagem do candidato democrata às eleições americanas: Barack Obama.

No Millennium Stadium, retumbou pela enésima vez o repetitivo tique-taque de "4 Minutes", música que canta com Justin Timberlake --hoje só acompanhando pelas imagens de um vídeo.

Com ele, Madonna deu o toque final do show, sem esquecer de cantar "Like a Prayer" e "Ray Of Light", onde esteve mais comunicativa.

A versão rock da techno "Hung Up" (do álbum anterior, "Confessions On a Dance Floor") e a boate na qual a artista transformou o palco, para dar rédea solta a "Give It 2 Me", encerraram o show.

Um enorme "Game Over" encerrou a apresentação destas mil Madonnas. E que venha o show no Brasil.

 

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