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Ilustrada
25/08/2008 - 07h46

Madonna faz rave com "Like a Prayer"

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THIAGO NEY
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Cardiff

Faz uma semana que Madonna completou 50 anos e, apropriadamente, ela estréia a sua extravagante turnê sentada em um trono. A rainha lembra quem está no comando do pop há três décadas. Mas, pelas próximas duas horas, teremos a sensação de que alguma coisa não soa com deveria.

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Estamos no Millennium Stadium, maior estádio de Cardiff, no País de Gales. Segundo os organizadores, 40 mil fãs compraram ingressos para a primeira apresentação da turnê "Sticky & Sweet", anteontem. Após percorrer Europa e América do Norte, 198 pessoas que trabalham diretamente na turnê desembarcarão em dezembro no Brasil para shows no Rio e em São Paulo.

O show é dividido em quatro blocos: "Pimp" (de inspiração art déco); "Old School" (relembra o início de carreira, em Nova York); "Gipsy" (homenagem às músicas cigana e latina); e "Rave/Dominatrix" (o palco vira uma enorme pista de dança).

Para preencher essa idéia, Madonna faz uso de 19 canções ao vivo (há ainda três vídeos que separam os blocos). E aí é que algo não encaixa: dessas 19 músicas, nove são de "Hard Candy", disco lançado neste ano. Para fazer o álbum, Madonna chamou superprodutores, como Pharrell Williams e Timbaland. Madonna é encapsulada pelo trabalho dos parceiros, e o resultado decepciona. As batidas do hip hop abafam um pouco a voz (e a própria personalidade) de Madonna.

O que faz o show algo especial são as outras dez canções, em que a "velha Madonna" aparece. Entre aspas porque não se trata de saudosismo, de uma simples volta ao passado. Músicas como "Into the Groove", "Borderline" e "Like a Prayer" ganham roupagem moderna e divertida, sem deixar saudade das versões originais.

"Vogue", por exemplo, é surpreendente: a clássica melodia da faixa é sobreposta às batidas de "4 Minutes" (do último disco). O posto de rainha do pop não caiu do céu. Madonna sempre soube absorver novidades e se reinventar sem perder a essência (sexy, debochada, provocadora). A "Vogue" vista em Cardiff é Madonna marcando posição na era do "Umbrella", de Rihanna, e da novata Katy Perry e sua "U R So Gay".

Cenograficamente, o show é superlativo. Após meia hora de atraso, um enorme cubo, no centro do palco, exibe imagens em altíssima definição de balas e doces em uma espécie de fábrica retrô-futurista. O cubo se abre, desfaz-se em vários telões que se movimentam pelo palco. Surge Madonna, de vestido preto e longas botas, no trono. E inicia com "Candy Shop". Na segunda música, "Beat Goes On", Pharrell Williams faz vocal de apoio no telão, em imagem pré-gravada. Um conversível passeia pelo palco, com Madonna e seus bailarinos.

Por uma passarela, Madonna desemboca em um palco menor. Ali, empunha uma guitarra e canta "Human Nature". No telão, Britney Spears é lembrada. Mas é apenas em seguida, com "Vogue", que o público realmente se empolga.

Boxe e violinos

O segundo ato é animado, com dois bailarinos munidos de luvas simulando uma luta de boxe. Com shortinho vermelho, Madonna (o corpo está sólido; o rosto, muito fino) traz "Into the Groove" e transforma a inocência de "Borderline" em um muro de guitarra. No terceiro ato, o público adora as referências latinas de "Spanish Lesson" e "La Isla Bonita", emolduradas por violinos e acordeon. Será que no Brasil, não muito chegado a latinidades, fará o mesmo sucesso?

Para introduzir o último bloco, um vídeo da faixa "Get Stupid". No início, o telão mostra de Hitler a John McCain; depois de Lennon a Barack Obama. Madonna dá seu recado. A sequência "Like a Prayer", "Ray of Light" e "Hung Up" nos transporta para uma imensa e animada rave. Encerra com uma nova, "Give It 2 Me", em que canta "ninguém vai me parar". No final, os telões do palco voltam a formar um cubo com as palavras "Game Over". Aos 50 anos, Madonna ainda ocupa o trono pop. Graças, principalmente, à sua história.

Avaliação: bom

O repórter THIAGO NEY viajou a convite da produção do show

 

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