"Olhar do jovem gera material mais rico", diz jornalista Caco Barcellos
JONATHAN PEREIRA
Colaboração para a Folha Online
Veterano em jornalismo investigativo, Caco Barcellos, 58, pode ser visto toda terça-feira junto a uma nova geração de jornalistas, no programa "Profissão Repórter", na Globo.
| Zé Paulo Cardeal/TV Globo |
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| Caco Barcellos fala sobre "Profissão Repórter" |
A atração começou como um quadro no "Fantástico", passou a ser mensal no ano passado (substituindo eventualmente o programa "Linha Direta", às quintas-feiras) e, devido à boa aceitação do público, desde junho deste ano é exibido toda semana às 23h30, logo após o humorístico "Toma Lá, Dá Cá".
"Profissão" marca média de 21 pontos na audiência, segundo a assessoria de imprensa da Globo --cada ponto no Ibope equivale a cerca de 55,5 mil domicílios na Grande São Paulo. O número é considerado bom para o horário. Apesar da boa audiência, o programa ainda não está confirmado na grade da emissora para 2009.
Em entrevista à Folha Online, Barcellos contou como é a seleção dos profissionais, a rotina da equipe do programa e sua relação com os jovens jornalistas. Confira:
Folha Online - Como surgiu o "Profissão Repórter"?
Caco Barcellos - A idéia do programa é antiga, do tempo em que eu fazia reportagens de denúncia, matérias investigativas. Buscamos um formato mais equilibrado, que tratasse nem sempre de denúncia, mas abordasse um assunto com maior profundidade. Eu e o diretor do programa, Marcel Souto Maior, fomos amadurecendo a idéia, procurando temas que tivessem ações simultâneas com duplas de repórteres.
| Zé Paulo Cardeal/TV Globo |
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| Caco Barcellos e a equipe de jovens jornalistas que produzem o programa "Profissão Repórter" |
Folha Online - Quais os critérios para a seleção dos "jovens jornalistas"?
Barcellos - Para o programa, aproveitamos os que foram estagiários da Globo. Eles passam por um processo bastante concorrido, são milhares de candidatos disputando 35 vagas. Na equipe, apenas dois são de fora [da Globo] e já fizeram documentários. A equipe é de dez pessoas no vídeo, contando comigo. Preferimos utilizar jovens jornalistas porque a dinâmica favorece a captação de melhores imagens. Os veteranos já não se surpreendem tanto com os fatos.O olhar do jovem gera um material mais rico.
Folha Online - Era um desejo seu partilhar sua experiência com as novas gerações? Como é sua relação com a equipe?
Barcellos - É maravilhosa. Não tenho postura professoral. Estimulamos toda a equipe a dar sugestões e participar da pauta e da edição. Normalmente, os telejornais são feitos com quatro grupos: pauteiros, produtores --que tem atuação muito forte--, repórteres e editores. Aqui, queremos que o jornalista participe de todo o processo. O ambiente tem sido bom, é boa a competição interna pela melhor matéria.
Folha Online - Agora que a atração é maior e semanal, quanto tempo a equipe dispõe para preparar as matérias?
Barcellos - Tentamos assuntos que sejam possíveis de produzir [uma reportagem] em 24 horas na rua. Mas a pré-produção é um pouco mais demorada, e viagens para o Norte e Nordeste do país levam em média dois dias. Mesmo com o programa semanal, cada equipe fecha uma matéria por semana.
Folha Online - A audiência e repercussão têm sido boas para o horário? O programa está confirmado na grade da emissora para 2009?
Barcellos - A audiência tem sido muito boa, média de 21 pontos para um programa que passa das 23h30 à meia-noite. Mas, assim como os outros programas da Globo, ainda não está definido se continua na grade ano que vem.
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