"Se soubesse dos riscos, não teria feito 'Tropa de Elite'", diz o diretor José Padilha
da France Presse, em Paris
"Se soubesse dos riscos que íamos correr, não teria feito o filme", declarou à France Presse o diretor de "Tropa de Elite", José Padilha. O longa metragem, premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, estréia na próxima semana na França.
| Sergio Moraes/Reuters |
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| Diretor do premiado "Tropa de Elite", Padilha conta como foi gravar o filme em favelas |
"É possível rodar em uma favela controlada por traficantes quando eles autorizam. Há duas maneiras de obter essa autorização: ir aos chefes do tráfico ou às associações de moradores", explicou Padilha, acrescentando que a última alternativa "é mais arriscada, mas pode contribuir para reduzir a influência dos traficantes".
"Não recomendo o meu método, já que quatro colegas foram seqüestrados durante as filmagens e nosso material foi roubado. As gravações tiveram que ser interrompidas por duas semanas, e tivemos que encontrar favelas sem tráfico de drogas para continuar rodando", contou o diretor.
Padilha mencionou as dificuldades que enfrentou para realizar as filmagens."É preciso tentar usar os moradores nas filmagens, ajudar projetos sociais, mas não dar dinheiro vivo, porque esse dinheiro acabará nos bolsos dos traficantes".
O diretor reconhece que o fato de ter sido premiado em Berlim ajudou a distribuição da obra no exterior. "Meu filme é entendido como uma provocação porque mostra que toda a sociedade financia o tráfico, inclusive as classes médias quando decidem consumir drogas", acrescentou.
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