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29/08/2008 - 18h21

Comentário: Branco ou negro, Michael Jackson influenciou discussão racial

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DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

O cantor Michael Jackson completa 50 anos nesta sexta-feira, e, com sua música e história de vida, certamente escreveu um capítulo sobre questão racial não apenas nos Estados Unidos, mas em todo mundo.

O mistério do clareamento da pele do cantor é um ponto essencial para esta discussão. Seria doença? É vontade de ficar branco? A pergunta é angustiante, pois toca justamente na questão da difícil reafirmação racial e no resgate do orgulho negro.

15.nov.2006/Kieran Doherty/Reuters
Michael Jackson recebeu prêmio em Londres; cantor chega nesta sexta-feira aos 50 anos
Michael Jackson recebeu prêmio em Londres; cantor chega nesta sexta-feira aos 50 anos

Talvez o próprio Jackson tenha se posicionado em relação à questão racial na letra de "Black or White". Veja:

"It's A Turf War/ On A Global Scale/ I'd Rather Hear Both Sides/ Of The Tale/ See, It's Not About Races/ Just Places/ Faces/ Where Your Blood/ Comes From/ Is Where Your Space Is
I've Seen The Bright/ Get Duller/ I'm Not Going To Spend/ My Life Being A Color"

"É uma guerra de territórios em uma escala global/ Eu prefiro ouvir os dois lados desta história/ Veja, não é sobre raças, somente lugares, rostos/ De onde vem seu sangue, é onde fica o seu lugar/ Eu vi o brilhante ficar opaco/ Eu não vou passar minha vida sendo uma cor", afirma o trecho em tradução livre.

Realmente, Jackson pode dizer que não é uma cor, mas sim uma discussão. O simples fato de ter aparecido na capa de uma edição especial da revista americana "Ebony" em 2007 levantou a pergunta se o astro pop ocupava o lugar adequado.

Divulgação
Cantora americana Diana Ross e o jovem fenômeno Michael Jackson em foto de 1973
Cantora americana Diana Ross e o jovem fenômeno Michael Jackson em foto de 1973

Além da cor, Jackson passou por diversas cirurgias para afinar o nariz e mudar os traços do rosto, mas nunca disse não ser negro, e, pelo contrário, está sempre como uma das personalidades negras mais lembradas.

Quando trabalhei em uma revista brasileira voltada para o público afro-descendente, isto era sempre uma questão. Jackson era uma referência musical para a chamada black music, os leitores lembravam com carinho do menino negro que cativou o mundo na década de 70 e, em cartas, expressavam mais inquietação pelo futuro dele do que um certa rejeição por alguém que "renega a raça".

O Jackson Five, que acabou por revelar o cantor mirim para o mundo, tocava basicamente em clubes freqüentados por negros no interior dos Estados Unidos e foi descoberto pela Motown --a gravadora que revelou vários talentos negros.

Jackson quebrou a barreira racial e se tornou o mais vendido, o mais bem pago, aquele que cobiçavam para ser o garoto-propaganda de comerciais.

Divulgação
Michael Jackson ilustrou edição especial da revista "Ebony"; revista é voltada a negros
Michael Jackson ilustrou edição especial da revista "Ebony"; revista é voltada a negros

A grande esperança é a de que ele se tornasse um ativista, um líder para seu grupo racial, com tanto poder de atrair mídia. Nunca, até então, um negro havia conquistado tanta publicidade. No entanto, Michael Jackson não adotou mais este papel que esperavam dele. Condená-lo? É difícil, ele já havia se tornado o astro que o pai queria, a figura bizarra que os tablóides esperavam e o papel de líder de um grupo poderia ter um peso que ele não quisesse carregar.

Mesmo assim, ele cumpriu seu papel ao se tornar o branco que já foi negro, com resultados bem contestáveis, de certa forma, desencorajando futuros "Michaels".

No Brasil, ele foi um fenômeno internacional que quebrou barreiras de língua e classe social.

"Olha como era bonitinho quando era neguinho, seu pai adorava ele, eu o adoro, todo mundo queria ter o cabelo dele", comentou há pouco tempo um tio, que mora em Carapicuíba e havia acabado de comprar um DVD com os melhores momentos da Motown, um município da Grande São Paulo.

Talvez alheio ao que significa, Jackson optou por um aniversário discreto e é possível que mal saiba que chegou à periferia de São Paulo.

Comentários dos leitores
adriana serena de araujo (1) 30/08/2008 00h00
adriana serena de araujo (1) 30/08/2008 00h00
michael é o unico, e o melhor, independente do que digam, sua obra é eterna, suas musicas contagiaram e marcam época. parabéns meu ídolo, não importa onde nem como esteja, eu serei sempre sua fã. MICHAEL JACKSON SÓ EXISTE 1, E ESTE SERÁ SEMRE O MAIOR DE TODOS. 9 opiniões
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marvin contendo (5) 29/08/2008 18h36
marvin contendo (5) 29/08/2008 18h36
o michael é rei!
infelizmente é muito mais provável que resgate o seu devido valor no dia em que partir dessa para melhor.
6 opiniões
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Wesley Caiapó (8) 29/08/2008 18h11
Wesley Caiapó (8) 29/08/2008 18h11
Michael Jackson é um genio, mas também é humano. As falhas cometidas ao longo da vida e seus fracassos pessoais não diminuirão sua importancia para o mundo da música. A história deverá julgar o homem e o astro em separado pra não cometer injustiças. 8 opiniões
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