Ilustrada
06/09/2008 - 15h03

"Som não é berrar", diz João Gilberto em apresentação na Bahia

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LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador

Mais descontraído do que em suas apresentações no Rio e em São Paulo, o cantor João Gilberto fugiu do roteiro, contou piadas e disse que "som não é berro" no show de encerramento de sua turnê em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova, ontem à noite, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Em apresentação de duas horas e 27 minutos, João Gilberto interpretou 33 canções.

Como de costume, o cantor atrasou para entrar no palco do teatro, que ficou completamente lotado (1.554 lugares). Inicialmente previsto para as 21h, o espetáculo começou às 22h10, com uma homenagem ao compositor Dorival Caymmi, morto no último dia 16.

Aplaudido em pé por quase cinco minutos, João Gilberto parou de cantar "Saudade da Bahia", a primeira música da noite, para reclamar do microfone. "Falei que não queria este tipo de microfone porque o som bate nele."

Em seguida, fez duas releituras da música de Caymmi, brincou com a fama de "preguiçoso" do compositor e elogiou a Bahia. "Canto para este mundo todo, mas a Bahia é diferente. Fico até nervoso."

Entre uma música e outra, João Gilberto conversava com o público, mas não era ouvido por parte da platéia --o cantor falava afastado do microfone.

"Olha o som, João, não estou ouvindo nada", gritou uma pessoa. "Olha a mesa de som, João", falou outra. Bem-humorado, o cantor respondeu que som não é berro. "Som não é berrar, senão, não existiria o tom." Depois da resposta, que recebeu aplausos, João Gilberto pediu que os técnicos aumentassem o som.

Outro momento descontraído do espetáculo aconteceu quando o cantor errou dois versos de "Meditação". "Errei dois versos porque escutei uma tosse. Será que alguém tem um xarope aqui?"

João Gilberto também atendeu a pedidos do público com as músicas "Coqueiro Velho", de Dalva de Oliveira, e "Você não sabe amar", de Dorival Caymmi. O intérprete foi bastante aplaudido também ao cantar um de seus maiores sucessos --"Estate" na versão em italiano e em português.

Citando alguns amigos de infância que estavam presentes na platéia, João brincou com um deles, que é psiquiatra, e foi seu colega na Bahia. "Acho que vou voltar a procurar você para endireitar a minha cabeça."

Duas horas antes do início do espetáculo, cambistas pediram até R$ 800 pelos ingressos nas primeiras fileiras --o valor cobrado na bilheteria foi de R$ 180. Na platéia, poucos artistas baianos prestigiaram o show do cantor, entre eles a cantora Daniela Mercury.

Entre os políticos, os governadores Jacques Wagner (PT) e Marcelo Déda (PT), da Bahia e Sergipe, respectivamente, além do ministro Juca Ferreira (Cultura). Depois de interpretar "Garota de Ipanema", João Gilberto deixou o palco do teatro, na madrugada de hoje, da mesma forma como entrou, aplaudido por cinco minutos.

 

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