"Era algo para ter feito aos 28 anos", diz Meryl Streep, sobre "Mamma Mia!"
GABRIELA LONGMAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo, em Atenas
Os pôsteres de divulgação espalharam pelo mundo inteiro a novidade: Meryl Streep canta e dança sucessos do Abba. É este o principal trunfo de "Mamma Mia!", peça da Broadway vista por mais de 30 milhões de pessoas e adaptada agora para as telas de cinema.
"Era algo para ter feito aos 28 anos", disse Streep, durante a rodada de entrevistas promocionais de que Folha participou na Grécia, "mas topei o desafio e acho que não fiz feio. Foi algo que exigiu mais de mim a essa altura, fisicamente e musicalmente".
Assim como ela, a maior parte dos atores do filme não tinha experiência anterior com musicais, mas foram pagos para "perder a vergonha" frente às câmeras, com resultados que variam do excelente ao constrangedor. De qualquer modo, ninguém sai do cinema sem "Dancing Queen" ou "Take a Chance on Me" na cabeça.
A trama acompanha a história da jovem noiva Sophie (Amanda Seyfried), criada pela mãe solteira, Donna (Streep), numa ilha mediterrânea --o filme foi inteiro filmado na ilha grega Kalokairi.
Às vésperas do casamento, a moça encontra um velho diário da mãe e descobre que tem três possibilidades de pai: Sam (Pierce Brosnan), Bill (Stellan Skarsgard) e Harry (Colin Firth). Cada um deles obedece a um perfil bem definido, quase clichê: o executivo, o viajante sem raízes e o arquiteto. Querendo tirar a dúvida, ela convidará os três para o casório.
"A história tem estrutura clássica, inspirada pela mitologia grega, mas invertida, com três homens na disputa", diz a diretora, Phyllida Lloyd. A referência histórica é o embate entre Atena, Afrodite e Hera pelo título de mais bela.
Durante as entrevistas, os três atores principais comentaram a dificuldade e o divertimento de filmar a cena final, em que dançam de salto alto.
"Quando me vi vestido com um collant colorido, pensei: ninguém nunca mais vai me chamar para trabalhar", disse Brosnan, que tem quatro atuações como 007 no currículo. A presença de Streep no elenco convenceu-o a participar.
"Geralmente os filmes são escritos por homens, e as mulheres só precisam ser bonitas. Neste caso era um pouco o contrário", disse Stellan Skarsgard. Acostumado a trabalhar em filmes mais "sérios" --como "Dançando no Escuro" e "Dogville", de Lars von Trier-- o ator sueco disse que teve que aprender a se "despreocupar" e a perder um pouco do controle sobre a sua atuação.
"Quando o Abba estourou, nos anos 70, eu estava muito ocupado tentando ser cool, ouvindo jazz alternativo", ri.
Streep, em compensação, diz sempre ter sido fã de Abba. Dois dias depois do 11 de Setembro, abalada pelos atentados, ela levou a família toda para ver o musical em Nova York.
"As crianças em escola nova, não conheciam ninguém. Alguns pais de seus colegas morreram nos atentados... Mas ao som de "Dancing Queen", todo mundo dançou. Existe algo de incrível no musical, que nos faz lembrar da alegria de estarmos vivos."
A "alegria" é o tema evocado em praticamente todas as entrevistas. O fato de o romance ser vivido por atores com mais de 50 anos foi outro dos trunfos colocados pela diretora:
"A sexualidade no cinema costuma vir associada à juventude. Quisemos fazer um filme em que esse espírito contagiasse as diferentes gerações".
Com a estréia do filme em diferentes partes do mundo, Lloyd saberá finalmente se o tal "efeito contagioso" é mesmo geral e eficaz.
A repórter GABRIELA LONGMAN viajou a convite da Universal Pictures.
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