Johnny Alf conseguiu 1º trabalho por indicação de Dick Farney
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
Após estudar piano e tocar no Sinatra-Farney Fan Club, Johnny Alf conseguiu emprego como pianista na Cantina do César, pertencente ao radialista César de Alencar, em 1952, através de indicação de Dick Farney e Nora Ney.
| André Porto/Folha Imagem |
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| Pianista, cantor e compositor Johnny Alf era admirado nos anos 50 por colegas como Tom Jobim, Carlos Lyra e João Gilberto |
Suas primeiras músicas foram gravadas pela atriz Mary Gonçalves, que o viu tocar ali. Na mesma época, gravou o primeiro disco, com as músicas instrumentais "Falsete", de sua autoria, e "De Cigarro em Cigarro", de Luiz Bonfá.
Tocou nas boates Monte Carlo, Clube da Chave, Mandarim, Plaza e em outras casas noturnas do Beco das Garrafas, em Copacabana, na zona sul do Rio. Muitas vezes, ele trocava de lugar com o pianista Newton Mendonça, amigo e parceiro de Tom Jobim. Suas composições "Céu e Mar" e "Rapaz de Bem", ambas de 1953, são consideradas precursoras da bossa nova.
Em 1961, gravou na RCA seu primeiro LP, "Rapaz de bem", que entre outras músicas incluía "Ilusão à toa", de sua autoria, também bastante requisitada por cantores da época. Ele recebeu convite do compositor Chico Feitosa para tocar no show da bossa nova no Carnegie Hall de Nova York, mas não quis ir e permaneceu em São Paulo.
O músico só voltou ao Rio em 1962, quando começou a tocar no Bottle's Bar, na mesma época em que ali atuavam o Tamba Trio, Sergio Mendes, Luis Carlos Vinhas e Silvia Telles. Formou um conjunto com o baixista Tião Neto e o baterista Edison Machado, apresentando-se no Little Club e Top Club. A partir de 1965, realizou várias apresentações no interior de São Paulo.
Deu aulas no Conservatório Meireles de São Paulo e participou com a música "Eu e a Brisa", interpretada pela cantora Márcia, do 3º Festival de Música Brasileira da TV Record. Nos anos 70 e 80, foi convidado para participar de discos, shows e gravações.
Em 1990, lançou o disco "Olhos negros", que contou com a participação de Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Menescal, Marcio Montarroyos, Emílio Santiago, Gal Costa, Zizi Possi, Sandra de Sá e Leny Andrade.
Em 1998, apresentou no Sesc Pompéia, em São Paulo, o show de lançamento do CD "Noel Rosa - Letra e Música" e, em 2000, participou do espetáculo "Da Fossa à Bossa", dirigido por Ricardo Cravo Albin no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio.
Fontes:
ALBIN, Ricardo Cravo. "Dicionário Houaiss Ilustrado [da] Música Popular Brasileira". Rio de Janeiro: Paracatu Editora, 2006.
CASTRO, Ruy. "Chega de Saudade". São Paulo: Companhia das Letras, 1990


