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Ilustrada
16/09/2008 - 19h54

Disputado por distribuidoras, Barreto comemora escolha do MinC

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DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

O cineasta Bruno Barreto, que dirigiu "Última Parada - 174" --filme escolhido nesta terça-feira pelo Ministério da Cultura do Brasil para representar o Brasil nas seleções para o Oscar--, afirmou que o anúncio não o surpreendeu, pois o longa-metragem teve uma boa recepção no Festival de Toronto, com interesse de três distribuidoras.

Veja trailer do filme:

As distribuidoras interessadas em "Última Parada - 174" para o mercado dos Estados Unidos e Canadá são Magnolia, IFC Films (que comprou os direitos de distribuição dos dois filmes que compõe o trabalho "Che", de Steven Soderbergh) e a mesma que distribuiu "Tropa de Elite" no mercado americano.

"Após o desempenho do filme na semana passada, eu não fiquei surpreso com o resultado. É claro que havia concorrentes fortes, como o filme do Hector [Babenco] --[em referência a "O Passado"], o "Estômago", que é um filme que gosto muito, "Desafinados", que eu não vi ainda", disse o diretor.

Para ele, o fato de o longa-metragem ainda não ter estreado nos cinemas é positivo. "Acho que ajuda no critério de julgar, na isenção, em avaliar o filme pelo que é, sem ter a influência da crítica e ainda sem a recepção popular", disse Barreto.

Divulgação
"Última Parada 174" foi escolhido hoje para representar Brasil na disputa pelo Oscar
"Última Parada 174" foi escolhido hoje para representar Brasil na disputa pelo Oscar

"Ônibus 174

Barreto esclareceu que a história não enfoca o seqüestro de ônibus 174 no Rio de Janeiro em 2000 por um ex-menino de rua, Sandro do Nascimento.

"É uma questão de foco, meu filme conta a história do Sandro e de uma mulher que o adota como filho, não o seqüestro do ônibus, que aparece no final, em uma seqüência de cerca de nove minutos", afirmou o cineasta.

Barreto disse que "Ônibus 174", documentário do cineasta José Padilha --que dirigiu "Tropa de Elite"--, inspirou a idéia do filme. "Mas meu filme é na contramão do documentário", disse o diretor de "Última Parada - 174".

No entanto, o diretor não poupou elogios ao documentário de Padilha, que recebeu diversos prêmios no Brasil e no exterior.

"Pixote"

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Filme conta a história de Sandro do Nascimento; produtor comemora escolha
Filme conta a história de Sandro do Nascimento; produtor comemora escolha

Para fazer o filme, Barreto percorreu locais que marcaram a trajetória de Nascimento, conversou com pessoas que o conheceram e funcionários dos estabelecimentos onde ele ficou internado.

"A pesquisa é uma parte do trabalho, porque o filme é uma ficção, com liberdade para interpretar", disse o cineasta.

Para ele, a produção que mais se assemelha ao filme é o longa-metragem "Pixote -A Lei do Mais Fraco" (1980), de Hector Babenco.

"Meu filme é muito diferente de 'Tropa', não tem nada a ver, é o desfavorecido como sujeito, não como objeto, o olhar é diferente", disse o diretor.

Walter Salles

Sobre a decisão do diretor Walter Salles de não entrar na disputa para representar o Brasil no Oscar com sua produção "Linha de Passe", Barreto disse que foi algo acertado.

"É uma decisão muito sábia, se ele disse que não tinha tempo para se dedicar à campanha, é algo correto de se fazer", disse o cineasta.

"No entanto, eu só não entendi muito bem isso da campanha, porque ela só ocorre depois da pré-seleção com os cinco, seis filmes. Aí que entra a campanha para que o maior número de pessoas assistam ao trabalho", afirmou Barreto.

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Filme foi exibido no Festival de Cinema de Toronto na última semana e atraiu atenção de três distribuidores
Filme foi exibido no Festival de Cinema de Toronto na última semana e atraiu atenção de três distribuidores
 

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