Disputado por distribuidoras, Barreto comemora escolha do MinC
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
O cineasta Bruno Barreto, que dirigiu "Última Parada - 174" --filme escolhido nesta terça-feira pelo Ministério da Cultura do Brasil para representar o Brasil nas seleções para o Oscar--, afirmou que o anúncio não o surpreendeu, pois o longa-metragem teve uma boa recepção no Festival de Toronto, com interesse de três distribuidoras.
Veja trailer do filme:
As distribuidoras interessadas em "Última Parada - 174" para o mercado dos Estados Unidos e Canadá são Magnolia, IFC Films (que comprou os direitos de distribuição dos dois filmes que compõe o trabalho "Che", de Steven Soderbergh) e a mesma que distribuiu "Tropa de Elite" no mercado americano.
"Após o desempenho do filme na semana passada, eu não fiquei surpreso com o resultado. É claro que havia concorrentes fortes, como o filme do Hector [Babenco] --[em referência a "O Passado"], o "Estômago", que é um filme que gosto muito, "Desafinados", que eu não vi ainda", disse o diretor.
Para ele, o fato de o longa-metragem ainda não ter estreado nos cinemas é positivo. "Acho que ajuda no critério de julgar, na isenção, em avaliar o filme pelo que é, sem ter a influência da crítica e ainda sem a recepção popular", disse Barreto.
| Divulgação |
|
| "Última Parada 174" foi escolhido hoje para representar Brasil na disputa pelo Oscar |
"Ônibus 174
Barreto esclareceu que a história não enfoca o seqüestro de ônibus 174 no Rio de Janeiro em 2000 por um ex-menino de rua, Sandro do Nascimento.
"É uma questão de foco, meu filme conta a história do Sandro e de uma mulher que o adota como filho, não o seqüestro do ônibus, que aparece no final, em uma seqüência de cerca de nove minutos", afirmou o cineasta.
Barreto disse que "Ônibus 174", documentário do cineasta José Padilha --que dirigiu "Tropa de Elite"--, inspirou a idéia do filme. "Mas meu filme é na contramão do documentário", disse o diretor de "Última Parada - 174".
No entanto, o diretor não poupou elogios ao documentário de Padilha, que recebeu diversos prêmios no Brasil e no exterior.
"Pixote"
| Divulgação |
|
| Filme conta a história de Sandro do Nascimento; produtor comemora escolha |
Para fazer o filme, Barreto percorreu locais que marcaram a trajetória de Nascimento, conversou com pessoas que o conheceram e funcionários dos estabelecimentos onde ele ficou internado.
"A pesquisa é uma parte do trabalho, porque o filme é uma ficção, com liberdade para interpretar", disse o cineasta.
Para ele, a produção que mais se assemelha ao filme é o longa-metragem "Pixote -A Lei do Mais Fraco" (1980), de Hector Babenco.
"Meu filme é muito diferente de 'Tropa', não tem nada a ver, é o desfavorecido como sujeito, não como objeto, o olhar é diferente", disse o diretor.
Walter Salles
Sobre a decisão do diretor Walter Salles de não entrar na disputa para representar o Brasil no Oscar com sua produção "Linha de Passe", Barreto disse que foi algo acertado.
"É uma decisão muito sábia, se ele disse que não tinha tempo para se dedicar à campanha, é algo correto de se fazer", disse o cineasta.
"No entanto, eu só não entendi muito bem isso da campanha, porque ela só ocorre depois da pré-seleção com os cinco, seis filmes. Aí que entra a campanha para que o maior número de pessoas assistam ao trabalho", afirmou Barreto.
| Divulgação | ||
![]() |
||
| Filme foi exibido no Festival de Cinema de Toronto na última semana e atraiu atenção de três distribuidores |





