Coletiva em galeria usa porta, piscina e pai-de-santo
SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo
No lugar de bruxas, um pai-de-santo. No lugar do plástico armado em via pública, uma piscina suspensa a girar no espaço da galeria. Tentam, ao mesmo tempo, deixar ver e esconder as obras da coletiva aberta hoje na Casa Triângulo.
Mostrar e ocultar porque é por um buraco cavado na estrutura gigantesca criada pelo alemão Michael Beutler que se vê uma instalação de Lucia Koch no segundo andar da galeria.
Também porque a obra do neozelandês Dane Mitchell já aconteceu antes da exposição: um pai-de-santo passou horas com uma fogueira lá dentro para criar um canal de comunicação entre público e artista.
Sobrou, de Mitchell, que antes trabalhou com bruxas para estabelecer canais de comunicação espiritual, um desenho com círculos que se entrecruzam e um cristal sobre uma mesa que esconde uma caixa de som -esta dita aos visitantes, num mantra, comandos como "veja" e "olhe fixamente".
É o que pede também Beutler. Se em Frankfurt ficou conhecido por armar nas ruas estruturas de plástico, aqui constrói uma porta giratória imensa, que tem dentro uma piscina, para criar, ele diz, espaços de intimidade no cubo branco.
No segundo andar, está também um vídeo da espanhola Tere Recarens, que aparece tentando aspirar o céu.
Dane Mitchell, Michael Beutler, Lucia Koch e Tere Recarens
Quando: de ter. a sáb., das 11h às 19h; até 4/10
Onde: Casa Triângulo (r. Paes de Araújo, 77, tel. 0/xx/11/3167-5621; livre)
Quanto: entrada franca


