Obra de Valêncio Xavier é singular, diz Joca Reiners Terron
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
A morte do escritor Valêncio Xavier Niculitcheff nesta sexta-feira deixa um vácuo no cenário da literatura experimental brasileira. Misturando imagens e texto, Xavier não teve o reconhecimento devido enquanto vivo, segundo o editor e escritor Joca Reiners Terron.
"Eu inventei a editora para publicar os livros dele", afirmou Terron, da Ciência do Acidente, que publicou "Meu 7º Dia" de Xavier.
| Divulgação |
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| Escritor Valêncio Xavier foi expoente na literatura experimental brasileira |
Terron disse que teve contato com o trabalho de Niculitcheff ainda na faculdade, nos anos 1980. "Eu tinha um professor que era louco por "O Mez da Grippe" --reeditado pela Companhia das Letras em 1998.
"O trabalho do Valêncio é totalmente singular, ninguém fez o que ele Valêncio Xavier fez na literatura", afirmou Terron.
"Não entendo, não descobriram a obra dele como deveriam. Em Curitiba há uma certa frieza em relação a ele e eu acho que a cidade somente reflete uma frieza que o Brasil tem", disse Terron.
Leia conto de Valêncio Xavier, do livro "Crimes à Moda Antiga" (2004).
Para o editor Arthur Nestrovski, da Publifolha, o escritor era uma reserva de invenção na literatura brasileira.
"Valêncio Xavier é uma reserva de invenção e bom humor no panorama nem sempre inventivo, muito menos bem humorado da ficção brasileira atual. Ele enxerga tudo com outros olhos, entende com outra compreensão, escreve com outras palavras -- e nos leva junto sem fazer concessões", afirmou Nestrovski.
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