Em busca de sede, filha de Fayga Ostrower expõe parte de acervo
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
Noni Ostrower, 56, filha da artista plástica Fayga Ostrower (1920-2001), está em São Paulo para inaugurar nesta sexta-feira uma mostra com inéditos da mãe, algo que tem feito enquanto seu projeto de ter uma sede para o Instituto Fayga Ostrower --que comporte o arquivo de uma das mais importantes gravuristas do Brasil-- não se concretiza.
| Divulgação |
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| Fayga Ostrower começou produção em 1946; ateliê é conservado por filhos no Rio |
O ateliê de Ostrower ainda permanece no apartamento em que viveu no Rio de Janeiro, no décimo andar de um prédio residencial. No local, há também a biblioteca da artista, seus escritos e muitos estudos. Apenas as imagens são por volta de 800, segundo um levantamento realizado por Noni Ostrower e ainda não completo.
O fato de estar nesta localização impede que um acesso maior a pesquisadores e ao público em geral seja feito. Noni Ostrower disse que prefere que o espaço físico para comportar seu projeto esteja no Rio de Janeiro e não acolhe bem a idéia de doar o material a uma instituição já estabelecida.
"Nós já doamos peças para a Pinacoteca, o Museu Nacional de Belas Artes, um outro museu em Curitiba. No entanto, eu tenho medo de doar tudo para alguma instituição e não ter liberdade para trabalhar com o acervo da minha mãe", disse Ostrower.
"Eu também quer manter a unidade da obra dela, mesmo as doações não foram de obras únicas, quero manter o conjunto", disse Ostrower, que é arte-educadora na ONG Centro de Criação de Imagem Popular.
Trabalho em família
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| Fayga Ostrower morreu em 2001 no Rio; artista ainda tem muitos trabalhos inéditos |
"Ela dizia que a obra dela tinha de falar por si, por isso ela estudou os outros. Agora é hora da gente se debruçar sobre isso, sobre a obra de Fayga Ostrower", afirmou a filha, que, nascida em 1952, perdeu muitos anos da produção da mãe --iniciada em 1946.
Com a ajuda de voluntários para catalogar e organizar o acervo, Noni Ostrower também usa a família para trabalhar com o que lhe foi deixado por Fayga Ostrower.
O marido, Daniel Caetano, 54, é fotógrafo e registrou imagens das obras, fazendo uma espécie de catálogo. O filho João Rodrigo, 30, também ajuda nos trabalhos e o irmão de Noni, Carl Robert, é um dos fundadores do instituto.
Exposição
Em São Paulo, a mostra "Os Caminhos de Fayga Ostrower" começa nesta sexta-feira com entrada gratuita no centro de São Paulo. Com obras de 1947 a 2001, a exposição traça a trajetória da artista com 80 trabalhos.
Além da mostra, a curadora Anna Bella Geiger e o crítico de arte e cineasta Olívio Tavares de Araújo ministram na sexta-feira, às 14h, a palestra "Fayga Ostrower, Pioneira no Abstracionismo Lírico no Brasil". Os interessados em participar poderão se inscrever pelo telefone 0/xx/11/3321-4400, no horário comercial. São 60 vagas e a palestra é gratuita.
"Os Caminhos de Fayga Ostrower"
Quando: de amanhã até 2 de novembro
Onde: Caixa Cultural (Praça da Sé, 111 tel. 0/xx/11/3321-4400)
Quanto: grátis
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