Festival aplaude "dinheiro bom"
SILVANA ARANTES
da Folha de S. Paulo, enviada especial ao Rio
Dos R$ 8 milhões que custou a produção do longa-metragem "Última Parada 174", de Bruno Barreto, R$ 1,25 milhão saiu do bolso do investidor paulista Pedro Conde Filho.
"Esse é um verdadeiro capitalista. Investiu no risco. Foi dinheiro bom!", disse o cineasta, ao chamar Conde ao palco do Cine Odeon, anteontem. Era a abertura do Festival do Rio, com sessão para convidados de "174", escolhido pelo Brasil para representar o país no Oscar.
No mercado cinematográfico, "dinheiro bom" é a expressão que distingue os investimentos privados dos recursos subvencionados pelo Estado. A quase totalidade dos patrocínios é feita por empresas que destinam à produção de filmes parte de seu Imposto de Renda devido, com benefício das leis de renúncia fiscal.
"[Dinheiro] bom ou ruim, o filme está feito com os dois. Não acho que o meu dinheiro seja melhor. Seria pernóstico querer diferenciar. Se existe uma metáfora [para o investimento que fez no filme], diria que fui a um bom banco e comprei um CDB", afirmou Conde Filho à Folha.
Segundo Barreto, 50% do orçamento é subvencionado. Pouco antes de ele apresentar o filme, os patrocinadores do festival tiveram a palavra.
O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, destacou os cerca de R$ 100 milhões aplicados pela empresa em produção cultural via leis de incentivo. "R$ 100 milhões é dinheiro bastante bom", disse Falco, que, em seguida, citou uma longa lista dos produtos e serviços oferecidos pela empresa.
Walkiria Barbosa, diretora-executiva do Festival do Rio para a área de negócios, afirmou que o tema das discussões desta edição é "o espectador". Walkiria disse acreditar que "estamos vivendo uma revolução digital do tamanho que foi a revolução industrial".
Ela afirmou que "cinema na tela grande é muito especial, mas as telinhas [de TV, computador e celulares] vão nos ajudar muito a trazer mais espectadores para a telona". A freqüência de público aos cinemas no Brasil está em queda.
Inveja
A atriz Cássia Kiss atuou como mestre-de-cerimônias, ao lado do ator Fabio Assunção. Cássia observou a superlotação da platéia: "Vocês estão conseguindo se acomodar? Tem mais gente do que lugar, né?".
E provocou o público: "Vou matar vocês de inveja!". A atriz cruzou então o palco, aproximou-se de Assunção e cumprimentou-o com um beijo na boca. "Quase perdi o rebolado", disse Assunção. "Eu, não", retrucou Cássia.
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