Ilustrada
01/10/2008 - 08h29

Stacey Kent mostra sua busca por histórias

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CARLOS CALADO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

A voz delicada e aguda lembra a de uma menina, bem animada ao falar pelo telefone, de Londres. "Finalmente vou poder cantar no Brasil pela primeira vez. Sério mesmo, esta será a viagem mais importante do ano para mim", diz à Folha Stacey Kent, atração do Tim Festival, em São Paulo (dia 22), no Rio (24) e em Vitória (25).

26.set.07/Nicole Nodland/Efe
Stacey Kent é considerada uma das melhores vocalistas de jazz da atualidade
Stacey Kent é considerada uma das melhores vocalistas de jazz da atualidade

É comum ouvir declarações semelhantes de artistas prestes a se apresentar no país, mas, no caso dessa norte-americana radicada na Inglaterra, tudo indica que não se trata de simpatia planejada.

Duas provas da sinceridade estão em seu CD mais recente, "Breakfast on the Morning Tram" (lançado aqui pela EMI): suas gravações de "So Many Stars" (de Sergio Mendes) e do "Samba da Bênção" (Baden Powell e Vinicius de Moraes), este em francês.

"O que eu mais adoro nos compositores e cantores do Brasil é essa maneira delicada de abordar a música, um jeito muito simples de se expressar, que é sempre direto e transmite uma grande alegria de viver", diz a cantora, afirmando que se sente "muito próxima da música brasileira, tanto em termos pessoais como artísticos".

Por isso, revela que até já se inscreveu em um curso de língua portuguesa, que começa em breve. "Gosto tanto da música brasileira que me parece loucura não falar português. Sei que posso cantá-la, mas você não pode interpretar poesia sem entender a língua. Adoraria cantar em português, mas não vou fazer isso enquanto não dominar a língua."

Formada em literatura comparada, Stacey estudou francês, alemão e italiano antes de deixar os EUA, nos anos 90. "Eu tinha o desejo de viajar, de me comunicar em outras línguas", diz. Mesmo tendo convivido com música desde cedo, não pensava em ser cantora até conhecer o saxofonista inglês Jim Tomlinson, que se tornou seu marido e parceiro musical.

Protagonista das canções

O elogiado "Close Your Eyes" (1997) foi o primeiro dos oito álbuns gravados por Stacey, que participou de três CDs de Tomlinson. Desde o início, seu repertório se concentrou em clássicos da canção norte-americana, assinados por autores de alto quilate, como Cole Porter, Irving Berlin, Richard Rogers e os irmãos Gershwin.

Já a compararam à veterana cantora Blosson Dearie, mas a semelhança não vai além do timbre agudo. O que chama atenção no estilo de Stacey é sua maneira delicada de cantar, como se conversasse consigo mesma. Como uma atriz que assume o papel de protagonista das canções, é uma ótima contadora de histórias.

"Para mim, a poesia vem sempre em primeiro lugar. Claro que a melodia e a levada são muito importantes numa canção, mas sou apaixonada por histórias. Procuro belas imagens, boas metáforas e histórias das quais eu me sinta próxima."

Stacey diz não se preocupar com o fato de o hip hop ou a música eletrônica serem hegemônicos na cena atual. Como fez em seu mais novo CD, continuará cantando clássicos da canção americana, sucessos da música brasileira ou as composições de seu marido com o escritor japonês Kazuo Ishiguro.

"Canto para pessoas que gostam de música acústica, que adoram canções românticas e apreciam essa atmosfera de intimidade que oferecemos. Acho que existem platéias desse tipo em qualquer lugar do mundo."

 

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