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18/06/2004 - 02h39

Charlize Theron demonstra fôlego em "Monster - Desejo Assassino"

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SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha

É provável que "Monster - Desejo Assassino" seja sempre lembrado como "o filme que deu o Oscar a Charlize Theron". Não é pouco: habituada a papéis que apenas exploram sua beleza, ou fazem de seus atributos físicos a principal isca para o público, ela demonstra aqui fôlego para vôos bem mais altos, ainda que precisem enfeiá-la para não correr o risco de enfeitiçar o espectador. Não por acaso, foi a maior colecionadora de prêmios da última temporada, incluindo o de interpretação no Festival de Berlim e no Globo de Ouro.

Infelizmente, não se vai muito além disso: fora o trabalho de Charlize, e a igualmente elogiável atuação de Christina Ricci ("Família Addams"), "Monster" é uma reconstituição burocrática de fatos verídicos (e, de fato, impressionantes) que talvez rendessem mais nas mãos de um cineasta com maior senso de melodrama ou de crônica social. A diretora e roteirista Patty Jenkins, em seu longa-metragem de estréia, preferiu meramente a descrição, como quem acreditasse que a história falaria por si. Perdeu a chance de ir mais fundo na natureza da protagonista e na origem de seus dramas.

Charlize (co-produtora do filme) encarna Aileen Carol Wuornos, condenada à pena de morte pelo assassinato de sete homens em 1989 e 1990, na Flórida. "Monster" resume, no prólogo, a infância e adolescência traumáticas da personagem. Depois, se concentra no que ocorre, já na vida adulta, a partir de seu encontro com uma jovem (Ricci) por quem, contrariando todas as expectativas, apaixona-se. Sua história amarga traduz o sonho americano às avessas. E, como seria mesmo de se esperar, embrulha o estômago.

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