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08/10/2008 - 08h03

Festival do Rio termina com filme de brasileiro sobre nazismo

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DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

Há eventos na história da humanidade que precisam ser lembrados, sempre. Abordar o período da ascensão do nazismo na Europa e o Holocausto não é uma tarefa fácil, mas o cineasta brasileiro Vicente Amorim foi escolhido para tal missão e contava com uma vantagem em relação a seus colegas europeus, judeus, ciganos, entre outros --o fato de não ter uma relação pessoal (a não ser ideológica) com o período.

Divulgação
"Um Homem Bom"
Cena das gravações do filme "Um Homem Bom"; brasileiro aborda história nazista

"Um Homem Bom", o filme que Amorim digiriu, foi escolhido para encerrar o Festival do Rio na próxima quinta-feira (9). O longa-metragem, uma co-produção entre Alemanha e Reino Unido, foi exibido no último Festival de Toronto, e será exibido no Festival de Roma --que ocorre entre os dias 22 e 31-- e o de Chicago --começa no próximo dia 16.

Com Viggo Mortensen, Mark Strong e Jason Isaacs, o filme se baseia em um texto de teatro de C.P. Taylor, que aborda o ponto de vista do médico alemão Halder sobre a ascensão do nazismo na Alemanha.

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"Um Homem Bom"
"Um Homem Bom" se baseia em texto de C.P. Taylor; longa mostra visão de médico alemão

"O projeto traz uma visão diferente da ascensão do nazismo, é uma visão de dentro. Ele nos coloca no ponto de vista do personagem principal e as escolhas deles são perfeitamente racionais", afirmou Amorim sobre o filme.

No entanto, o cineasta nega que isso possa se transformar em uma possível justificativa para a lógica que levou ao Holocausto. "Há, claro, uma questão de posicionamento, de convicção política, que obviamente me afasta de qualquer simpatia com este tipo de ideologia", disse Amorim.

Sobre sua escolha para ser o diretor da co-produção, o brasileiro disse que sua origem ajudou um pouco. Filho de diplomata, Amorim nasceu em Viena e domina bem o inglês. Por outro lado, a produtora do filme, segundo ele, pensou em um cineasta latino-americano para dirigir o projeto.

"A produtora tinha há sete anos os direitos da peça, mas queria alguém para dirigir que não tivesse uma bagagem pessoal forte ligada ao nazismo, porque ela buscava alguém que tivesse a capacidade de transmitir para a tela o que a peça levou para o palco", afirmou Amorim.

Antes de "Um Homem Bom", Amorim nunca havia visitado um campo de concentração. Após ler a peça e durante a preparação para as filmagens em Budapeste, na Hungria, o diretor visitou dois.

Um dos cuidados do diretor foi não retratar os personagens judeus exclusivamente como vítimas e os alemães como algozes. "Quando você reduz as pessoas a vítimas e algozes, você não pode transformar as pessoas em metáforas. Para mim, essa é uma das questões mais interessantes do filme", disse Amorim.

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"Um Homem Bom"
Cena do filme "Um Homem Bom", do diretor brasileiro Vicente Amorim, que encerra nesta quinta o Festival do Rio
 

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