Maurício Farias dirige Andréa Beltrão em "Verônica"
SILVANA ARANTES
Enviada especial da Folha de S.Paulo ao Rio
O cineasta Maurício Farias ("A Grande Família - O Filme") encerrou, anteontem, a mostra competitiva da Première Brasil no Festival do Rio com o longa "Verônica".
| Divulgação |
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| Atores Andréa Beltrão e Matheus de Sá atuam no filme "Verônica", exibido no Rio |
O filme compete com outros sete títulos na categoria ficção. Os vencedores serão conhecidos amanhã.
Com Andréa Beltrão no papel-título, "Verônica" acompanha a saga de uma professora da rede pública que se vê acuada pela polícia e por bandidos, quando abriga um aluno cujos pais foram assassinados.
O pai do menino, interpretado por Matheus de Sá, trabalhava para o tráfico e agia também como informante da polícia. Antes de morrer, ele deixa com o garoto um arquivo digital contendo imagens que incriminam ambos os lados.
O diretor afirma que o filme "partiu da vontade de falar sobre os heróis anônimos da vida e, mais particularmente, de uma cidade onde a lei e o Estado não atuam em todas as áreas".
Embora tenha a guerra do tráfico no Rio e o fosso social entre ricos (ou remediados) e pobres como pano de fundo, "Verônica" propõe uma abordagem distinta da adotada em recentes exemplares do subgênero brasileiro "favela movie".
"Meu maior interesse foi falar de uma pessoa que, de repente, se vê obrigada a dar um passo tão grande, por uma ética pessoal que ela não é capaz de transgredir", diz Farias.
A ética íntima de Verônica, ao decidir manter consigo a criança, em vez de entregá-la à proteção do Estado, fere o que determina a lei.
"Esse é o ponto que tem a ver com a nossa questão brasileira --tentar organizar um país, um Estado, e não ter condições para isso", afirma Farias.
Sem violência
Os protagonistas de "Verônica" estão sob constante ameaça, mas o diretor procurou "de alguma maneira não entrar na violência" por reprovar a "espetacularização da violência". Em razão dessa escolha, ele diz: "Cheguei a ter medo de pensarem que eu estava fazendo um filme água-com-açúcar sobre esse assunto".
Farias escalou atores profissionais em todos os papéis, inclusive nos secundários. "Acho que um ator bem escalado é muito melhor do que um principiante fazendo um papel. Admiro os diretores que trabalham com atores não-profissionais, mas tenho uma paixão por trabalhar com ator", diz.
"Verônica" foi filmado com R$ 500 mil, em sistema "de cooperativa", segundo o diretor. Isso significa que parte do elenco e da equipe técnica "são sócios do filme".
Farias afirma que há em seu longa "algumas homenagens" a "Glória" (1980), de John Cassavetes, em que a atriz Gena Rowlands é uma fora-da-lei que tenta proteger da perseguição da máfia um garoto cujos pais foram assassinados, mas o diretor não vê os dois filmes como aparentados.
p(star). *
Adeus, Palácio
Do diretor Lírio Ferreira, ao apresentar seu "O Homem que Engarrafava Nuvens", no Cine Palácio, no centro do Rio: "É triste saber que o filme só vai passar aqui uma vez, pois o cinema vai fechar. Num momento em que o cinema brasileiro precisa tanto de salas, fechar um cinema de rua é triste". O grupo Severiano Ribeiro, proprietário do Palácio, que era deficitário, vendeu-o no mês passado a um hotel.
Todos Juntos
Em "Se Nada Mais Der Certo", de José Eduardo Belmonte, ao som de "Saltimbancos", assaltantes usam máscaras de FHC e Sarney. A operação envolve negociata com caixa dois de campanha política.
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