Rushdie adverte autor italiano que Camorra é pior que "fatwa"
da Efe, em Roma
O escritor britânico Salman Rushdie advertiu o italiano Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia, que acha Camorra é mais perigosa que a "fatwa" --ordem de morte-- declarada contra ele em 1989 pelo então líder espiritual iraniano, aiatolá Khomeini, por causa da publicação do livro "Os Versos Satânicos".
| Jean-Paul Pelissier/Reuters |
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| Roberto Saviano, que está sofrendo ameaças da máfia italiana |
Saviano "sem dúvida deve deixar a Itália, mas tem que escolher com prudência seu destino". "Suponho que um problema com a máfia seja mais grave do aquele que eu mesmo enfrentei", disse Rushdie ao jornal italiano "La Repubblica" nesta sexta-feira.
Na última quarta (15), depois de descobrir planos da máfia de um atentado contra ele e sua escolta antes do Natal, o escritor italiano anunciou que vai deixar o país. As ameaças da Camorra começaram por causa da publicação do livro "Gomorra".
A obra tem gerado muita polêmica na Itália por falar sobre as atividades da máfia, em particular dos Casalesi, um dos clãs da Camorra, que jurou vingança.
Rushdie conheceu o jovem autor italiano em Nova York em abril passado, quando Saviano já era famoso pela publicação do polêmico livro em maio de 2006.
"É um homem extremamente agradável, muito inteligente. Naquela época o FBI já achava quer era um perigo [estar em Nova York] porque também há máfia nos EUA", comentou Rushdie, que passou quase 20 anos vivendo sob ameaça.
O livro, que deu origem a um filme de mesmo nome, é uma das atrações da Mostra Internacional de Cinema de SP.
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