Marçal Aquino estréia no teatro com história à Nelson Rodrigues
JULIANA LUGÃO
Colaboração para a Folha
Depois de escrever seu "primeiro livro com uma história de amor", Marçal Aquino, 50, conseguiu desmembrar a obra que parecia pronta na literatura e levá-la ao teatro e ao cinema. Estreou, no último sábado (18), "Amor de Servidão", adaptação do último romance do autor, "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios" (Companhia das Letras, 2005, 232 págs., R$ 41,50).
| Patricia Stavis/Folha Imagem |
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| O escritor Marçal Aquino, cujo livro deu origem à "Amor de Servidão" |
A ausência da história contundente de Cauby e Lavínia, fio condutor da narrativa do livro, pode, a princípio, causar uma certa decepção no espectador/ leitor que chega desavisado ao teatro.
Não é a história do fotógrafo paulistano que está em cartaz no Aliança Francesa (veja serviço abaixo), mas a de seu duplo, o careca Altino.
No livro, o protagonista, todo o tempo, se compara a ele, mas, no final --e é Marçal quem avalia --, os dois têm o mesmo fim. Cauby ficou para a tela. Em mais uma parceria com Beto Brant, Marçal adaptou a trama do triângulo de que o protagonista faz parte para o roteiro de um longa-metragem, ainda em fase de captação de recursos. Neste, quem fica de fora é o careca.
Peça rodriguiana
Foi Marília de Toledo, dramaturga, que viu em "Eu receberia..." o roteiro de uma peça pronta. Convenceu o autor de que, dentro de seu livro, havia uma peça com conflitos rodriguianos e os dois começaram a adaptação.
"Quando eu li o livro, eu me apaixonei pelo careca. Ficava esperando que a história dele voltasse. No final, eu percebi que existia uma história pronta ali", diz Toledo, que revisitou a obra de Nelson Rodrigues durante a fase de adaptação, "para não ser leviana" nas referências.
Para contar a história de Altino, Marinês e Carlos Alberto, os dois decidiram incluir mais uma personagem: Margot, a irmã de Marinês. E se forma o imbróglio: Margot ama Altino que ama Marinês que ama Carlos Alberto, com quem vai se casar. Altino, o careca, vive uma paixão platônica consumada tragicamente --um amor de servidão, título do espetáculo.
A relação das irmãs, cheia de duplicidades, ciúmes, sem esquecer o inevitável amor fraterno. Os dois autores vêem, nesses pilares dramatúrgicos, a clara referência rodriguiana. Para complementar a linguagem, a decisão foi convidar Marco Antônio Braz, diretor de trajetória quase toda rodriguiana.
"Desde que eu sei dar bom dia para uma mulher, meu negócio é Nelson Rodrigues."Segundo Braz, apesar da referência explícita à obra do dramaturgo, há uma diferença essencial. "Em Nelson, o subtexto vem à tona e os personagens dizem o indizível e o inconfessável, e, aqui, de alguma maneira, isso ainda fica freado dentro do subtexto.
Amor de Servidão, de Marçal Aquino e Marilia de Toledo
Direção: Marco Antônio Braz
Com: Marcelo Galdino, Veridiana Toledo, Martha Nowill e Manoel Candeias
50 min
Teatro Aliança Francesa - r. General Jardim, 182, Vila Buarque, região central. Tel.: 3188-4141
Classificação: Não recomendado a menores de 12 anos
Ingressos: de R$ 10 a R$ 20
Até 14/12
Sáb.: 21h e dom.: 19h
230 lugares
Acesso para deficientes.
Ar condicionado


