Ilustrada
23/10/2008 - 11h25

Peça "Sonho de Outono" discute amor e solidão

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GABRIELA MELLÃO
da Folha de S.Paulo

O autor teatral mais festejado da atualidade estreou no Brasil singelamente. "O Nome", primeira obra de Jon Fosse encenada no país, em 2004, foi montada em caráter de exercício teatral pelos jovens atores integrantes do Núcleo Experimental do Sesi, sob tutela de Denise Weinberg.

Divulgação
Elenco em cena da peça "Sonho de Outono", que estréia em SP nesta sexta-feira
Elenco em cena da peça "Sonho de Outono", que estréia em SP nesta sexta-feira

O grande nome da dramaturgia norueguesa depois de Henrik Ibsen (1828-1906) recebeu sua primeira produção profissional um ano depois, em Curitiba. "Sonho de Outono", o espetáculo em questão, encenado pelo diretor e dramaturgo Marcos Damaceno com a Cia. que leva seu nome, inicia a partir de amanhã a temporada paulista, no Teatro Coletivo Fábrica.

"Sonho de Outono" chega a SP com três anos de maturidade e a perspectiva de atrair amantes da dramaturgia revolucionária de Fosse, concebida com estrutura similar à de uma partitura musical. Na certa, "Roxo" e "Um Dia, no Verão", outros textos do autor encenados em 2007, devem tê-los instigado.

Os fãs de Fosse vão desejar saber de que forma mais um diretor teatral afinado com a linguagem contemporânea (a cia. de Damaceno já encenou Sarah Kane e Thomas Bernhard) estabeleceu o ritmo do espetáculo, resolveu em cena o embate entre o teatro do absurdo e o realista proposto pelo norueguês. Também devem ficar curiosos em ver Rosana Stavis, vencedora do Gralha Azul, principal prêmio teatral do Paraná, como melhor atriz coadjuvante.

Escrito em 1997, "Sonho de Outono" discute amor, solidão e a dificuldade de se relacionar do homem contemporâneo. Retrata encontros e partidas que acontecem em torno de uma família, em um cemitério.

Lógica do sonho

Como em toda obra de Fosse, mais importante do que a história é a forma como ela é contada. A chave para o entendimento da peça está no ritmo das falas, nas repetições cíclicas, nos silêncios. "Fosse diz que escreve como quem faz música.

O que lhe interessa é o fluxo, a maneira como a história avança, recua, acelera, para em seguida ser suspensa e depois retomada", diz Damaceno, que concebeu a encenação com os ouvidos. Abaixava a cabeça e escutava, experimentando tons até obter o resultado que transita entre o humor e o trágico.

Tempos e infelicidades são justapostos, seguindo a lógica fragmentária da memória e do sonho. Frases como "as coisas são como são" são retomadas diversas vezes por diferentes personagens, seguindo sonoridades múltiplas.

Destinos infortunados também são coincidentes nesta reflexão niilista do autor, que tinge o universal. "Em Fosse, como em Beckett, a vida é um percurso do nada ao nada. A boa notícia é que, para o norueguês, no meio desse nada há o amor", diz o diretor.

SONHO DE OUTONO

Quando: sex. e sáb., às 21h30 e dom., às 20h; até 30/1
Onde: Teatro Coletivo Fábrica (r. da Consolação, 1.623, tel. 3255-5922)
Quanto: R$ 20 e R$ 3 (de amanhã ao domingo)
Classificação: não indicado para menores de 14 anos

 

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