Ainda em obras, Bienal já se prepara para combater vandalismos
SARA UHELSKI
da Folha Online
A 28ª Bienal de São Paulo, que será aberta ao público no domingo (26), ainda se resume a três andares em obras, com cheiro de madeira e barulhos de furadeiras e ferramentas afins.
"Espero que a exposição esteja 99% pronta no sábado", brincou o curador Ivo Mesquita, durante a coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (23).
| Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem |
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| Manoel Francisco Pires da Costa, presidente da Fundação Bienal e o curador Ivo Mesquita |
Sediada no Pavilhão da Bienal, dentro do parque Ibirapuera, a 28ª Bienal de São Paulo: "em vivo contato" tem como mote principal questionar seu próprio papel e o modelo das Bienais e demais exposições ao redor do mundo. Uma das maneiras sugeridas pelos curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen expressarem a indagação é também uma das grandes polêmicas em torno desta edição: o segundo andar do prédio ficará vazio, recebendo somente performances durante a programação.
"O vazio é uma forma que encontramos para indagar o visitante e convidá-lo a refletir sobre isso. Esse não é o tema da Bienal, mas sim uma forma de fazer as pessoas pensarem sobre novas coisas que podem ser colocadas naquele espaço", justifica Ana Paula. A curadora defende ainda que essa será uma oportunidade do público conhecer o espaço de uma nova maneira.
Além do segundo andar, a Bienal concentrará outros dois grandes espaços. O primeiro andar funcionará como um ponto de encontro e de assistência aos visitantes. Ali também ficará o vídeo lounge, área onde o público poderá assistir a programas rápidos sobre os artistas presentes no evento e sobre algumas das questões trabalhadas na mostra.
| Raimundo Pacco/Folha Imagem |
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| A 28ª Bienal conta ainda com a curadoria de Ana Paula Cohen |
O terceiro piso é onde, efetivamente, as obras são expostas. 26, dos 42 artistas, têm seus trabalhos ali. A brasileira Dora Longo Bahia, por exemplo, deixou sua marca já no piso, coberto com resina.
O espaço também tem como proposta resgatar o arquivo da Bienal. "Nossa idéia é configurar a memória sobre a Bienal que está no imaginário das pessoas", explica Ana Paula. O andar ainda trará uma coleção com 200 catálogos de exposições em diferentes países para, de acordo com a curadora, "dar ao visitante uma dimensão do que acontece lá fora".
Vandalismo
Questionados sobre possíveis temores a respeito de atos de vandalismo durante a Bienal, a exemplo do que aconteceu recentemente na galeria Choque Cultural, em São Paulo, invadida em outubro por um grupo de pichadores, os curadores afirmaram que já têm tomado providências.
"Tenho amigos que já vieram me alertar sobre um grupo que estaria se organizando para invadir e pichar a Bienal. Acho complicado porque algumas das pessoas que viriam até aqui fazer isso podem não ter noção do que é este espaço e do que ele representa", disse Ana Paula.
A 28ª Bienal de São Paulo começa no domingo (26) e segue até 6 de dezembro.
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