Publicidade

Ilustrada
24/10/2008 - 10h40

Show da portuguesa Maria de Medeiros encerrará a Mostra

Publicidade

EDUARDO SIMÕES
da Folha de S.Paulo

Boa parte do repertório do show que a atriz portuguesa Maria de Medeiros, 43, apresenta na quinta-feira (30), no encerramento da Mostra, no Sesc Pinheiros, faz parte de seu "coming out", sua revelação musical.

Rafael Hupsel/Folha Imagem
A atriz e cantora Maria de Medeiros, que se apresenta no encerramento da Mostra de SP
A atriz e cantora Maria de Medeiros, que se apresenta no encerramento da Mostra de SP

Maria, que cresceu em Viena, ouvindo a música clássica tocada pelo pai, o músico António Vitorino d'Almeida, e pelo padrinho, o maestro John Neschling, saiu do "armário erudito" em meados dos anos 70, quando a família voltou de seu auto-exílio a Portugal, com a Revolução dos Cravos, que pôs fim à ditadura salazarista.

"Foi quando descobri que havia outros tipos de música. E os que mais me impactaram foram o jazz e, sobretudo, a música brasileira, pois era a minha língua. Foi um choque fantástico descobrir a música brasileira e seu conteúdo na época. Portugal saía da ditadura, o Brasil ainda estava numa, as músicas que ouvíamos eram todas de grande conteúdo político."

Trinta anos depois, em 2005, durante o Ano do Brasil na França, onde mora, a atriz achou que a música do país estava mal representada, pois limitava-se a mostrar o lado " folclórico". Foi aí que nasceu o show, com algumas daquelas canções políticas de Chico Buarque, Ivan Lins e Caetano Veloso. Entre elas "Tanto Mar", em que Chico se refere ao fim da ditadura em Portugal.

"Ele fez uma primeira versão em 1975 que nunca chegou a ser lançada no Brasil, portanto só nós os portugueses conhecemos. Só muito recentemente foi dada conhecer no Brasil porque antes esteve proibida.
Somente em 1978 a censura liberou a canção. Como a situação política em Portugal já havia mudado muito, o Chico preferiu escrever uma segunda versão, que é a que os brasileiros conhecem", diz a atriz.

"No espetáculo a gente dá as duas versões. O antes e o depois. A euforia da Revolução e depois aquela melancolia, quando muitas coisas já haviam se perdido pelo caminho."

Diálogos portugueses

O espetáculo original, em que Maria alternava as canções com traduções para o francês de algumas das letras, acabou virando o disco "A Little More Blue", título de uma composição de Caetano Veloso.

O show, que já passou pela Espanha, pela Itália e por Moçambique, guarda coincidências com o repertório do álbum, mas chega ao Brasil com mudanças. No meio de "Tanto Mar", por exemplo, Maria faz citação a "Grândola, Vila Morena", do português José Afonso (1929-1987), que, segundo a atriz, foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas em abril de 1974 como "sinal de arranque" para a Revolução.

"Estando aqui, com todo o mundo conhecendo tão bem aquelas canções, preferi fazer também músicas portuguesas da mesma época, em particular do José Afonso, que dialogam bem com as brasileiras. Como "Coro da Primavera", "O Homem Voltou", e uma canção que continua muito provocadora, "Paz, Poeta e Pombas'".

Maria, que cantou em filmes como "Airbag" (de 1997, dirigido pelo espanhol Juanma Bajo Ulloa), e em "A Música Mais Triste do Mundo" (de 2003, do canadense Guy Maddin), também fará uma pequena homenagem ao cinema, cantando composições do italiano Nino Rota (1911-1979), colaborador de diretores como Federico Fellini e Francis Ford Coppola.

Canção estranha ao repertório político do álbum, "A Noite do Meu Bem", de Dolores Duran, também ficou de fora do show. Ainda que tenha sido o que Maria chama de sua "porta de entrada para música brasileira". "Minha avó cantava como uma canção de ninar", conta a atriz, que promete reconsiderar sua inclusão. Reconsidera, Maria. Se faz favor.

MARIA DE MEDEIROS
Quando: dia 30/10, às 21h
Onde: Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, tel. 0/ xx/11/3095-400)
Quanto: R$ 30 (meia-entrada a R$ 15)
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 10 anos

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca