Cineasta polonês comenta cinema de seu país em SP
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
O cinema polonês não aguenta mais explorar os filmes políticos, ao menos esta é a opinião do diretor Michal Rosa, 45, que está em São Paulo para apresentar seu filme "Rysa" ("Risco") na 32º Mostra de Cinema Internacional de Cinema de São Paulo.
Durante a apresentação do filme na Casa de Cultura Polonesa em São Paulo no último sábado (25), Rosa fez questão de salientar que o filme toca em um aspecto político, mas pessoal e está muito mais ligado a uma história de família do que a uma questão ideológica.
| Divulgação |
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| "Risco" mostra a história de uma família feliz até que uma dúvida sobre o passado desestabiliza um casal da cidade de Cracóvia |
"Este não é um filme político", disse o diretor, que estreou o filme nos cinemas poloneses em 19 de setembro. "Risco" ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Cinema Polonês ocorrido também no último mês em Gdynia, no norte da Polônia.
"Risco" ainda tem exibição nesta terça-feira no Unibanco Arteplex 3, 13h.
Para Rosa, o cinema polonês atual caminha para mostrar sobretudo histórias de família e relatos pessoais. De certa forma, a opinião do diretor casa com a de Zdzislaw Kuczynski, vice-presidente da Escola Nacional de Cinema em Lodz, a famosa instituição que formou nomes como o do cineasta Andrzej Wajda.
| 08.jul.2008/Dayanne Mikevis /Folha Online |
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| Zdzislaw Kuczynski disse que alunos de cinema trocaram temas políticos pelo amor |
"O cinema polonês trocou a política pelo amor", afirmou Kuczynski quando entrevistado na Polônia sobre os temas atuais que os jovens diretores trabalhavam preferencialmente.
"A nova geração de cineastas não enfrenta um contexto político que a coloque ante a alguma coisa, como na época da chamada 'escola polonesa de cinema', esses jovens buscam outros caminhos e, do que vejo por meus estudantes, eles focam muito histórias de amor, relacionamentos", disse Kuczynski.
Internacional, a escola polonesa recebe alunos dos mais diversos locais do mundo, incluindo Brasil. Os estudantes estrangeiros têm de pagar seu curso e enfrentar um desafio ainda maior: aprender polonês.
Kuczynski disse que o cinema polonês está em um fase de definição, com grande parte dos prêmios e participação nos grandes festivais indo para diretores já consagrados.
| 08.jul.2008/Dayanne Mikevis /Folha Online |
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| Mural na entrada da Escola de Cinema de Lodz mostra alunos da instituição que se destacaram e receberam título posteriormente |
Este é o caso de Wajda, que, com "Katyn" representou a Polônia na última corrida para o prêmio Oscar e ficou na última lista de selecionados da academia para melhor filme em língua estrangeira, prêmio que ficou com "Os Falsários", de Stefan Ruzowitzky, da Áustria.
Jerzy Skolimowski também um ex-aluno da escola, que com seu "Cztery Noce z Anna" ("Quatro Noites com Anna", em tradução livre) também chegou no último mês nos cinemas poloneses e coleciona já três prêmios, também é um representante da "velha geração" nas palavras de Kuczynski.
Perguntado se atualmente há um novo Wajda na Polônia, o diretor sorriu e disse: "Isso só o tempo vai dizer".
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