Vídeos de moda ganham a internet
BRUNA BITTENCOURT
da Folha de S.Paulo
Karl Lagerfeld conta qual foi sua inspiração para a última coleção da Chanel para a SPFW TV, entre trechos do desfile da maison. Na fábrica da Gap, a repórter da Nylon TV tenta cortar o molde de um jeans, enquanto a câmera da PraTV segue Alexandre Herchcovitch no dia do desfile de sua marca em Nova York.
Sem nada dever à qualidade da televisão, vídeos de moda se multiplicam na internet.
"Primeiro surgiu a possibilidade de postarmos fotos, depois de linkarmos vídeos do YouTube e, então, a vontade de criá-los", diz a editora de moda da "Vogue Brasil" Maria Prata, que apresenta reportagens em vídeo em seu blog Prataporter (www.prataporter.com.br).
| Reprodução |
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| Desfiles de moda ganham a internet com vídeos; reality-show também é alvo daqueles que usam internet para mostrar moda |
"Quando começamos, ninguém sabia como os vídeos deveriam ser. Em um ano e meio, a internet está preenchida por eles. A qualidade aumentou muito", conta Bridget Paylard, produtora da Nylon TV, hospedada no site da revista americana (www.nylonmag.com), que faz uma larga cobertura de moda e já recebeu 4 milhões de acessos em sua página no YouTube.
"Produzimos vídeos de altíssima qualidade, que funcionam tanto na internet quanto na TV", diz Paulo Borges, presidente do site da São Paulo Fashion Week (www.spfw.com.br), que passou a investir em vídeos há um ano e meio.
A cada edição da semana de moda paulista, o site grava mais de 200 vídeos, entre desfiles e matérias sobre o evento.
"As pessoas querem ver aquilo a que elas não têm acesso --os bastidores--, e ouvir gente que pode fazer uma avaliação do que é tendência", diz Richard Luiz, que dirige os vídeos da SPFW. "A informação é rápida, dinâmica. Na cobertura das semanas de moda de Nova York e Paris nossa prioridade era que as matérias entrassem no ar poucas horas depois dos desfiles", diz Richard.
Além da agilidade, outro diferencial dos vídeos da rede em relação à TV é a curta duração. No site da SPFW, as reportagens costumam ter de três a cinco minutos. Para Maria Prata, a novidade é a adesão dos blogueiros aos vídeos. Richard completa: "Os blogueiros produzem vídeos com câmera fotográfica. É uma coisa mais à vontade, de mostrar a chance que eles tiveram de estar lá [no backstage, no desfile etc.]".
Compras
Muitos sites não apenas mostram --também vendem moda. A Vogue TV (www.vogue.tv) é um canal que oferece os produtos anunciados nas páginas da revista, ao lado de um série de vídeos produzidos pela publicação em parceria com os anunciantes. Mas não é preciso comprar nenhum botão para ter acesso a cinco canais de vídeos, entre desfiles, "making ofs" e um reality show, que acompanha três modelos em seu dia-a-dia --todos, claro, exibem produtos das marcas em questão.
Já a loja francesa Colette (www.colette.fr), referência na moda, começou a produzir vídeos este ano. Longe da sisudez da marca, os vídeos que anunciam seus produtos se valem de sósias de Elvis Presley e Kate Moss --que, na realidade, nada lembram os originais--, entre uma série de aulas de dança, que ensinam da coreografia de "Vogue", de Madonna, ao "ABC", dos Jackson Five.
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