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Ilustrada
28/10/2008 - 14h13

Para Benicio del Toro, Che poderia ter sido "um grande escritor"

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da Efe, em Buenos Aires

Benicio del Toro, que interpretou Che Guevara no filme de Steven Soderbergh --o mesmo que tem Rodrigo Santoro no papel de Raúl Castro--, disse que o guerrilheiro argentino teria sido um dos grandes escritores da América Latina se tivesse se dedicado à literatura.

Em entrevista publicada hoje no jornal argentino "Clarín", del Toro ressaltou que para fazer o protagonista de "Che" --que é um dos destaques da Mostra de Cinema de SP--, estudou a vida do guerrilheiro e falou com seus parentes e amigos antes de gravar o filme.

Divulgação
Benicio del Toro na pele de Che Guevara em filme de Steven Soderbergh
O ator Benicio del Toro na pele do guerrilheiro Che Guevara em filme de Steven Soderbergh

O ator também afirmou que tem vontade de continuar atuando e "talvez" de dirigir um filme, embora considere isso "tão difícil quanto fazer uma entrevista coletiva".

Del Toro disse que compartilha os ideais que Che defendia, menos o da luta armada, e que começou a conhecer a personalidade do guerrilheiro ao comprar "por acaso" um livro no México.

"Era um livro de cartas que ele tinha escrito à sua família na Argentina, à tia, da qual era muito amigo, e a seus pais. Eu o li e sua forma de escrever me comoveu muito", disse.

"Eu sempre disse que o Che, se quisesse ser escritor, teria sido um dos grandes da América Latina", acrescentou Del Toro, que também elogiou as cartas "cômicas e cheias de energia" escritas pelo guerrilheiro.

O ator porto-riquenho declarou que está de acordo com muitos dos ideais de Che, entre eles o de que "o homem não deve explorar o homem" e de que "é preciso defender os mais fracos".

"Não necessariamente estaria de acordo [com a luta armada] atualmente, mas talvez nos anos 60 eu fosse uma pessoa diferente, e estaria de acordo com a luta daquela época", destacou.

Del Toro disse que o mundo mudou de tal forma que ele vive em um país onde "pela primeira vez" há a possibilidade de se eleger um presidente negro, em alusão ao candidato presidencial democrata Barack Obama.

"Nos anos 60, nesse mesmo país, se alguém dissesse que o presidente seria negro, ninguém acreditaria", afirmou.

 

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