Criar escola em prédio vazio é desafio para novo presidente do Masp
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
O presidente do Masp (Museu de Arte de São Paulo) eleito ontem, João da Cruz Vicente de Azevedo, 83, terá muito trabalho a partir desta terça-feira. Ele herda de Julio Neves, 76, um museu atolado em dívidas e com uma difícil missão: atrair recursos para transformar um prédio abandonado em uma escola de arte.
| Divulgação |
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| O edifício Dumont-Adams, que está abandonado; Masp promete fazer escola |
O antigo presidente do Masp --que é arquiteto-- desenhou um ambicioso projeto. Ele queria construir uma torre de 110 metros de altura no edifício Dumont-Adams, que fica ao lado do Masp.
A proposta foi levada à operadora de celular Vivo, que decidiu desembolsar R$ 13 milhões para que o museu comprasse o edifício desde que ela pudesse colocar seu nome no topo da torre. Como o Conpresp (conselho municipal do patrimônio histórico) vetou o projeto, a Vivo entrou na Justiça pedindo o dinheiro de volta.
A despeito da disputa judicial, Neves desenhou outro projeto para o prédio. Ele seria reformado para abrigar uma escola de arte, um restaurante e um café. A administração do museu também deve migrar para o prédio vizinho, o que aumentaria o espaço de exposição do Masp. O investimento deve ser de aproximadamente R$ 30 milhões.
Abandono
| Rogerio Cassimiro/Folha Imagem |
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| João Vicente de Azevedo (à dir.), eleito novo presidente do Masp, ao lado de Julio Neves |
O Masp não iniciou as obras no Dumont-Adams apesar de o projeto de execução de reforma já ter sido aprovado pela Conpresp desde o dia 25 de janeiro. A assessoria de imprensa do Masp afirmou que a reforma ainda não começou porque a aprovação do Conpresp exigiria "complementações". A Secretaria de Habitação negou à Folha Online que houvesse qualquer restrição ao início das obras.
O Masp também nega que a dívida do museu --de quase R$ 6 milhões de reais-- tenha impedido o início das obras. Além de ter a divida "renegociada e paga em dia" sua assessoria diz que as "complementações" já foram providenciadas e o prédio começará a ser reformado a partir de janeiro do ano que vem.
Questionada sobre o valor já amealhado pelo museu, a assessoria afirmou que não iria informar. "São questões comerciais internas do museu", disse a assessoria em nome do superintendente do Masp, Fernando Pinho. "O Masp não é um órgão público."
Apesar de se tratar de uma associação privada, o museu é abrigado pelo edifício que pertence à prefeitura e foi cedido em contrato que expirou no mês passado.
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