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Ilustrada
04/11/2008 - 18h48

Criar escola em prédio vazio é desafio para novo presidente do Masp

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online

O presidente do Masp (Museu de Arte de São Paulo) eleito ontem, João da Cruz Vicente de Azevedo, 83, terá muito trabalho a partir desta terça-feira. Ele herda de Julio Neves, 76, um museu atolado em dívidas e com uma difícil missão: atrair recursos para transformar um prédio abandonado em uma escola de arte.

Divulgação
Dumont-Adams ao lado do Masp: abandono
O edifício Dumont-Adams, que está abandonado; Masp promete fazer escola

O antigo presidente do Masp --que é arquiteto-- desenhou um ambicioso projeto. Ele queria construir uma torre de 110 metros de altura no edifício Dumont-Adams, que fica ao lado do Masp.

A proposta foi levada à operadora de celular Vivo, que decidiu desembolsar R$ 13 milhões para que o museu comprasse o edifício desde que ela pudesse colocar seu nome no topo da torre. Como o Conpresp (conselho municipal do patrimônio histórico) vetou o projeto, a Vivo entrou na Justiça pedindo o dinheiro de volta.

A despeito da disputa judicial, Neves desenhou outro projeto para o prédio. Ele seria reformado para abrigar uma escola de arte, um restaurante e um café. A administração do museu também deve migrar para o prédio vizinho, o que aumentaria o espaço de exposição do Masp. O investimento deve ser de aproximadamente R$ 30 milhões.

Abandono

Rogerio Cassimiro/Folha Imagem
João Vicente de Azevedo (à dir.), eleito novo presidente do Masp, ao lado de Julio Neves
João Vicente de Azevedo (à dir.), eleito novo presidente do Masp, ao lado de Julio Neves

O Masp não iniciou as obras no Dumont-Adams apesar de o projeto de execução de reforma já ter sido aprovado pela Conpresp desde o dia 25 de janeiro. A assessoria de imprensa do Masp afirmou que a reforma ainda não começou porque a aprovação do Conpresp exigiria "complementações". A Secretaria de Habitação negou à Folha Online que houvesse qualquer restrição ao início das obras.

O Masp também nega que a dívida do museu --de quase R$ 6 milhões de reais-- tenha impedido o início das obras. Além de ter a divida "renegociada e paga em dia" sua assessoria diz que as "complementações" já foram providenciadas e o prédio começará a ser reformado a partir de janeiro do ano que vem.

Questionada sobre o valor já amealhado pelo museu, a assessoria afirmou que não iria informar. "São questões comerciais internas do museu", disse a assessoria em nome do superintendente do Masp, Fernando Pinho. "O Masp não é um órgão público."

Apesar de se tratar de uma associação privada, o museu é abrigado pelo edifício que pertence à prefeitura e foi cedido em contrato que expirou no mês passado.

 

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