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08/11/2008 - 08h26

Família de ex-empresário pede recolhimento de livro de André Midani

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SERGIO TORRES
da sucursal da Folha, no Rio

A família do ex-empresário fonográfico Enrique Lebendiger quer tirar do mercado "Música, Ídolos e Poder - Do Vinil ao Download", récem-lançada autobiografia de André Midani, um dos mais importantes executivos de gravadoras.

Lena Lebendiger, filha do ex-dono da gravadora RGE, pediu à Nova Fronteira o recolhimento dos 30 mil exemplares da primeira edição. Argumenta que há na obra trechos ofensivos a seu pai, que, com cerca de 95 anos, estaria com problemas de saúde.

O diretor-executivo da editora, Mauro Palermo, disse que a família não pediu indenização, mas insiste em recolher o livro. "Propusemos que na segunda edição a menção a Lebendiger seja retirada." Segundo Palermo, a receptividade à proposta "não foi a melhor do mundo". A Folha tentou ouvir Lena em São Paulo, onde mora. No único telefone em seu nome, diziam não conhecê-la.

Lebendiger é citado três vezes no livro. Na página 120, ao comentar o assédio de sua gravadora, a Philips, a Chico Buarque, Midani critica o dono da RGE, que tinha o artista sob contrato. O empresário, diz o texto, "era uma figura exótica, conhecida por suas práticas pouco convencionais".

"Fez uma considerável fortuna, sempre fingindo não ter dinheiro para pagar o que devia. Era evidente que Lebendiger não tinha a capacidade nem a seriedade profissional para acompanhar a carreira de um compositor do calibre de Chico", complementa o escritor.

Nas páginas 147 e 148, Lebendiger volta ser citado. "Era um personagem cinematográfico de uns sessenta e tantos anos, tipo [o comediante] Groucho Marx [1890-1977]: baixinho, gordinho, transportando óculos grosso sobre um nariz proeminente (...) fumava da manhã à noite charutos cubanos enormes e desmoralizava a língua portuguesa."

Saxofones

Midani relata a compra na França de 300 saxofones por Lebendiger. Os saxes brasileiros "eram de péssima qualidade e não podiam ser importados por causa da reserva de mercado". "Para burlar as restrições da importação, solicitou à fábrica (...) que entregasse as embocaduras dos saxofones no hotel, em Cannes, e despachasse o resto dos instrumentos para o Brasil por navio. Voltou, então, para São Paulo com as embocaduras na mala."

Quando os instrumentos chegaram em Santos, ninguém foi buscar e foi marcado um leilão. Sem as boquilhas, o lote encalhou. Lebendiger arrematou-o a um preço irrisório. "Lebendiger levou as caixas de saxofones (...), colocou tranqüilamente as boquilhas (...) e vendeu todos eles, legalmente, a preço de ouro", conta Midani no livro.

 

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