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09/11/2008 - 16h42

Aos 99, Manoel de Oliveira teme falta de dinheiro para filmar

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da France Presse, em Porto

O quase centenário cineasta português Manoel de Oliveira, que neste ano recebeu uma Palma de Ouro especial no Festival de Cannes, diz temer a falta de dinheiro para suas produções, mas que está disposto a voltar a filmar nas mesmas condições "espartanas" de sua juventude desde que possa dirigir.

19.mai.08/Reuters
Cineasta Manoel de Oliveira, que completa cem anos em dezembro, posa em Cannes; ele afirma temer falta de dinheiro para filmar
Cineasta Manoel de Oliveira, que completa cem anos em dezembro, posa em Cannes; ele afirma temer falta de dinheiro para filmar

"O financiamento de meu próximo filme está garantido, mas o projeto que pretendo fazer depois, ainda não sei. Receio que vou ter problemas de financiamento", afirmou o diretor em entrevista no Porto, cidade onde nasceu em 12 de dezembro de 1908.

"Apesar de ter dificuldades para obter dinheiro para meu próximo filme, não quero deixar de filmar", afirma o cineasta, que já trabalhou com nomes consagrados como Marcelo Mastroianni, Catherine Deneuve e John Malkovich.

No próximo dia 23, ele começa a rodar seu novo filme, "Singularidades de Uma Rapariga Loira", adaptação de um conto do romancista português Eça de Queiroz, que Oliveira espera poder apresentar no Festival de Berlim em fevereiro próximo.

Quanto ao filme seguinte, "O Estranho Caso de Angélica", ele afirma que gostaria de apresentar em maio, no Festival de Cannes. "Não acho que terei tempo pra fazer outro para o Festival de Veneza [em setembro]", afirma o diretor, com um largo sorriso.

A respeito de tanta energia, que parece aumentar com o avançar da idade, Manoel de Oliveira responde: "Não tenho nenhum segredo. É um capricho da natureza, que decide e rege tudo isso. Devemos respeitá-la".

Nas últimas duas décadas, o cineasta português dirigiu em média um filme por ano. A parte mais importante de sua obra foi feita depois de completar 60 anos, após a Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974, que acabou com a ditadura salazarista.

Ele estreou com um filme mudo, em 1931: um documentário sobre sua cidade natal chamado "Douro, Faina Fluvial". Quando veio o som no cinema, ele lembra que foi contra.

"Eu não era o único", afirma. "Muita gente boa também se opunha. O cinema mudo era um modo de expressão que se bastava por si só. Deixava de lado o aspecto literário e teatral para ressaltar o aspecto fotográfico. Quando o cinema ganhou som, deixou de ter esse aspecto utópico, esta dimensão de sonho --porque o sonho não tem som ou palavras-- e se tornou muito mais realista".

Perguntado sobre as homenagens que deve receber pelos seus cem anos de vida, Manoel de Oliveira, classificado às vezes de "cineasta de cinéfilos", respondeu, rindo: "Certamente as pessoas conhecem mais minha idade do que meus filmes. Mas me sinto feliz quando alguém vê meu filme e entende o que eu quis dizer. Nada é mais gratificante".

 

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