10/08/2004
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14h10
da France Presse, em Nova York
Há 50 anos, a cidade de Newport, em Rhode Island (nordeste), onde as famílias mais abastadas dos Estados Unidos passavam o verão, acolheu a primeira edição de um festival de jazz que deu status de nobreza a este gênero musical, tirando da penumbra dos bares e apresentando ao grande público talentos do porte de cantoras como Ella Fitzgerald e Billie Holiday, os pianistas Oscar Peterson e Lennie Tristano, o conjunto Modern Jazz Quartet, o trompetista Dizzy Gillespie e o saxofonista Gerry Mulligan.
Em razão de seu 50º aniversário, o festival que começa amanhã e se estende até domingo (15), contará com a participação de dois remanescentes da edição de 1954 --o saxofonista Lee Konitz e o baixista Percy Heath--, além de outros grandes nomes do gênero, como Dave Brubeck, Wynton Marsalis, Herbie Hancock, McCoy Tyner e Russel Malone.
A edição inaugural do festival foi celebrada no Newport Tennis Casino e atraiu 13 mil pessoas num fim de semana chuvoso de meados de julho de 1954 e foi o resultado do empenho de George Wein, filho do proprietário de um clube de Boston, que continua encarregado do evento, e de dois membros da sociedade local, herdeiros de uma família produtora de tabaco, Louis e Elaine Lorillard.
Nas edições posteriores passariam pelo festival, entre muitos outros, as orquestras de Duke Ellington e Count Basie, a cantora Nina Simone, o saxofonista John Coltrane, o vibrafonista Lionel Hampton e o trompetista Miles Davis.
Quase todos eles lançaram discos com suas participações em Newport e alguns destes discos se tornaram peças valiosas para muitos fãs de jazz, como o show de Ellington em 1956, o de Basie em 1957 ou o de Coltrane em 1963.
"Foi o primeiro festival com vida longa e seu nome se tornou famoso em todo o mundo", explicou John Phillips, presidente de Festival Productions, companhia que George Wein criou para organizar o evento.
"[O festival] criou um novo tipo de estrutura para o jazz, que ia além dos clubes e concertos ocasionais, criou o conceito do festival", acrescentou.
A partir de então, "na Europa, Estados Unidos, Ásia, em todo o mundo, inclusive na América do Sul e na África, há festivais de jazz, uns mil ou mais a cada ano", afirmou.
Roderick Nordell, crítico do jornal "The Christian Science Monitor", que assistiu à primeira edição, lembrou em artigo recente que "cobrir o Festival de Jazz de Newport de 1954 foi como estar presente na Criação sem saber" e chegou a questionar se o festival de Woodstock, realizado em 1969, teria se inspirado no de Newport.
O próprio fundador do festival, George Wein, que está hospitalizado e não sabe se poderá assistir às bodas de ouro de sua criação, responde a esta pergunta nas páginas do "Wall Street Journal".
"Não há dúvida alguma. Levaram nosso encarregado de som e iluminação a Woodstock em 1969. Obviamente, alguém estava prestando atenção no que fazíamos", afirmou, em alusão ao festival de rock realizado no Estado de Nova York e que foi o apogeu da cultura hippie.
Especial
Arquivo: veja o que já foi publicado sobre o Festival de Jazz de Newport
Festival de Jazz de Newport comemora meio século
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ALFONS LUNAda France Presse, em Nova York
Há 50 anos, a cidade de Newport, em Rhode Island (nordeste), onde as famílias mais abastadas dos Estados Unidos passavam o verão, acolheu a primeira edição de um festival de jazz que deu status de nobreza a este gênero musical, tirando da penumbra dos bares e apresentando ao grande público talentos do porte de cantoras como Ella Fitzgerald e Billie Holiday, os pianistas Oscar Peterson e Lennie Tristano, o conjunto Modern Jazz Quartet, o trompetista Dizzy Gillespie e o saxofonista Gerry Mulligan.
Em razão de seu 50º aniversário, o festival que começa amanhã e se estende até domingo (15), contará com a participação de dois remanescentes da edição de 1954 --o saxofonista Lee Konitz e o baixista Percy Heath--, além de outros grandes nomes do gênero, como Dave Brubeck, Wynton Marsalis, Herbie Hancock, McCoy Tyner e Russel Malone.
A edição inaugural do festival foi celebrada no Newport Tennis Casino e atraiu 13 mil pessoas num fim de semana chuvoso de meados de julho de 1954 e foi o resultado do empenho de George Wein, filho do proprietário de um clube de Boston, que continua encarregado do evento, e de dois membros da sociedade local, herdeiros de uma família produtora de tabaco, Louis e Elaine Lorillard.
Nas edições posteriores passariam pelo festival, entre muitos outros, as orquestras de Duke Ellington e Count Basie, a cantora Nina Simone, o saxofonista John Coltrane, o vibrafonista Lionel Hampton e o trompetista Miles Davis.
Quase todos eles lançaram discos com suas participações em Newport e alguns destes discos se tornaram peças valiosas para muitos fãs de jazz, como o show de Ellington em 1956, o de Basie em 1957 ou o de Coltrane em 1963.
"Foi o primeiro festival com vida longa e seu nome se tornou famoso em todo o mundo", explicou John Phillips, presidente de Festival Productions, companhia que George Wein criou para organizar o evento.
"[O festival] criou um novo tipo de estrutura para o jazz, que ia além dos clubes e concertos ocasionais, criou o conceito do festival", acrescentou.
A partir de então, "na Europa, Estados Unidos, Ásia, em todo o mundo, inclusive na América do Sul e na África, há festivais de jazz, uns mil ou mais a cada ano", afirmou.
Roderick Nordell, crítico do jornal "The Christian Science Monitor", que assistiu à primeira edição, lembrou em artigo recente que "cobrir o Festival de Jazz de Newport de 1954 foi como estar presente na Criação sem saber" e chegou a questionar se o festival de Woodstock, realizado em 1969, teria se inspirado no de Newport.
O próprio fundador do festival, George Wein, que está hospitalizado e não sabe se poderá assistir às bodas de ouro de sua criação, responde a esta pergunta nas páginas do "Wall Street Journal".
"Não há dúvida alguma. Levaram nosso encarregado de som e iluminação a Woodstock em 1969. Obviamente, alguém estava prestando atenção no que fazíamos", afirmou, em alusão ao festival de rock realizado no Estado de Nova York e que foi o apogeu da cultura hippie.
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