Atiq Rahimi leva Goncourt, principal prêmio literário francês
da Folha Online
Atualizado às 13h24.
O prêmio mais prestigioso das letras francesas, o Goncourt, foi para o escritor de origem afegã Atiq Rahimi pelo romance "Syngué Sabour: Pierre de Patience", anunciou o júri nesta segunda-feira.
| Philippe Wojazer/Reuters |
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| O escritor Atiq Rahimi, que ganhou o Goncourt nesta segunda-feira |
Escritor e cineasta, Atiq Rahimi, 46, é autor de quatro romances, mas "Syngué Sabour" é seu primeiro livro escrito diretamente em francês.
Dois de seus livros saíram no Brasil: "As Mil Casas do Sonho e do Terror" e "Terra e Cinzas", ambos publicados pela Estação Liberdade.
Depois de estudar em Cabul, Atiq Rahimi abandonou o país em guerra em meados dos anos 80 e emigrou para o Paquistão. Mais tarde pediu asilo político na França, onde fez doutorado na Universidade Sorbonne.
Atiq possui dupla cidadania, afegã e francesa.
Pedra mágica
Na tradição afegã, "Syngué Sabour" é o nome de uma pedra mágica à qual as pessoas confiam suas tristezas. No livro de Rahimi, uma anciã cuida do marido, reduzido a um estado vegetativo desde que foi baleado na nuca. A mulher fala e se libera da opressão conjugal e religiosa.
É considerado um livro poético, composto de frases curtas e ritmadas, no qual Rahimi descreve a realidade opressiva da sociedade afegã.
Em São Paulo
Atiq Rahimi adaptou e dirigiu "Terra e Cinzas", seu primeiro romance, para o cinema. O filme foi selecionado para o Festival de Cannes em 2004.
Rahimi esteve em São Paulo para exibir "Terra e Cinzas" durante a primeira edição do Fórum Cultural Mundial.
No filme, o espectador fica fascinado por uma paisagem desolada: uma ponte, um rio seco, a guarita de um guarda, uma estrada que se perde no horizonte, um comerciante que pensa o mundo, um velho, uma criancinha e a espera. Nada se mexe ou quase. É o Afeganistão.
O velho homem vai anunciar a seu filho, que trabalha na mina que no vilarejo todos foram mortos em um bombardeio --tudo isso em meio a um inferno de lembranças, ao sofrimento, à solidão, ao medo.
Com agências internacionais



