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12/11/2008 - 08h45

Novo disco do Guns é megalomaníaco e irregular

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online

O novo CD do Guns n' Roses, "Chinese Democracy", tem tudo o que os sinais emitidos por Axl Rose sugeriam: um projeto megalomaníaco e irregular.

Reprodução
Capa do novo álbum do Guns n' Roses após um hiato de 17 anos, "Chinese Democracy"
Capa do novo álbum do Guns n' Roses após um hiato de 17 anos, "Chinese Democracy"

A banda ficou 17 anos sem lançar um álbum de inéditas, demorou mais de uma década no estúdio e gastou US$ 13 milhões --o que lhe valeu o título de disco mais caro já produzido. O CD, que finalmente será lançado no dia 25 de novembro, ainda não tem preço definido.

Slash, Duff e companhia deixaram o Guns porque não concordavam com os rumos musicais que Axl estava propondo: enquanto ele queria um novo disco com um pé no rock industrial, os companheiros queriam fazer a velha mistura de rock de garagem com hard rock que fizeram clássico o primeiro álbum do grupo, "Appetite for Destruction".

Axl ficou sozinho na banda e poderia, enfim, fazer o CD que gostaria. Ao ouvir o novo disco, no entanto, a impressão que fica é que ele tentou experimentar, sim, mas não quis abrir mão das características que fizeram o sucesso da banda.

A Folha Online participou da primeira audição oficial do disco no Brasil nesta terça-feira (11) à noite.

O resultado final é um disco que mistura experimentalismos esporádicos, com o peso do "Appetite..." e a megalomania de algumas músicas dos álbuns "Use Your Illusion 1" e "Use Your Illusion 2" --ambos lançados em 1991--, como "November Rain" e "Estranged".

Essa miscelânea musical, no entanto, nem fez a banda mudar de rota, nem abriu mão da antiga fórmula. Há bons momentos, como a faixa-título "Chinese Democracy", em que Axl aparece pouco para o rock industrial falar mais alto.

Além deste single, outros são sérios candidatos a virar hit, como "IRS", "Better" e "Madagascar". Elas parecem que foram tiradas dos "Illusions" e repaginadas. "Sorry" tem muita personalidade.

Voz e guitarras

Apesar de boas experimentações, como na introdução de "Riad n' the Bedouins", elas só aparecem em inserções nas músicas. Onipresente mesmo são os solos de guitarra. A maioria --muito bem tocada-- deve satisfazer os fãs mais novos que não viram Slash empunhar a guitarra no Guns.

Já a voz do Axl esteve à altura do projeto megalomaníaco. Ele variou de timbre como em nenhum outro disco. Em "IRS", seu vocal chega a alturas inimagináveis.

"Chinese Democracy" pode ser um sucesso comercial. Mas como projeto artístico, Axl parece ter falhado.

 

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