Mostra reúne trabalhos de 17 artistas chineses no Masp
FERNANDA EZABELLA
colaboração para a Folha de S.Paulo
Uma das imagens mais repetidas do ano está pela metade. O estádio olímpico Ninho de Pássaro surge inacabado, ou talvez desmontado, em 24 fotografias do mesmo ângulo, sob luzes diferentes de Pequim.
O trabalho reflete a idéia central da mostra "China: Construção - Desconstrução", que reúne 50 obras de 17 artistas chineses contemporâneos, entre pinturas, fotografias e vídeos. A exposição no Masp abre na terça-feira (18) para convidados e quarta para o público.
| Divulgação | ||
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| "I Love You", pintura a óleo de Chen Bo, um dos 17 artistas chineses que participam da nova exposição no Masp |
Ai Weiwei, artista mais famoso da China, é o autor das fotografias do estádio, de cujo projeto ele participou. Com as fotos, ele decompõe o mais novo símbolo de propaganda do país em plena transformação. A importância de seu nome ofusca outros artistas da mostra, embora seu trabalho aqui não tenha o impacto de suas obras recentes. Em 2007, Ai levou à Documenta de Kassel centenas de portas e janelas antigas para uma monumental e frágil escultura ao ar livre.
Assim, devem ganhar mais atenção dos visitantes as fotografias em grande escala de Wang Qinsong e as pinturas de bordéis de Wang Chengyun.
"Acho que é um momento para mostrar um panorama mais aberto da produção atual da China", diz a curadora Tereza de Arruda, que fez três viagens ao país neste ano, visitando ateliês. "Não quis ter aqueles nomes gigantescos que aparecem em todas as exposições sobre China; eles já passaram pela Bienal de São Paulo, deviam ter uma individual."
Arruda é curadora independente, brasileira que vive há 20 anos em Berlim. Ela faz a ponte entre artistas dos dois países e, nos últimos anos, passou a se dedicar também à arte asiática.
Neste ano, trouxe ao Masp o artista japonês Tatsumi Orimoto. Wang Qinsong apresenta o díptico fotográfico "Festa da ONU", simulando um banquete para mil pessoas e o caos deixado por elas. Ele também é autor do vídeo "Arranha-Céu", que registra a construção de uma estrutura vertical em meio a uma região pobre da China.
Mas não é só o país que se reconstrói. Artistas também repensam seus trabalhos de modo a deixar aos poucos o rótulo de chinês. Chen Bo, por exemplo, abandonou as pinturas de grupos de trabalhadores chineses e retratos de ícones pop do ocidente para se voltar a heróis e personagens solitários de suas próprias fantasias.
As obras vieram de parcerias com galerias, como a Chinablue, de Berlim, com filial em Pequim. Sem apoio do governo, artistas chineses são muitas vezes patrocinados por galerias estrangeiras, que invadiram o país nos últimos anos em busca dos novos-ricos e para dar conta da febre de colecionadores pela produção artística local, a mais inflacionada no mercado.
Uma crítica bem-humorada a esse sistema de arte vem de Liu Ding. Ele montou uma loja na qual 50 telas inacabadas, feitas por artesãos chineses, são vendidas aos visitantes. Cada uma custa cerca de 100 libras (por volta de R$ 340) e está assinada por Liu -segundo ele, o dinheiro arrecadado volta aos artesãos. "A idéia é levar para casa e continuar pintando", explica Arruda.
CHINA: CONSTRUÇÃO - DESCONSTRUÇÃO
Quando: de quarta (19) até 15/02
Onde: Masp (av. Paulista, 1578, tel.: 0/ xx/11/ 3251-5644)
Quanto: de R$ 7 a R$ 15
Classificação: livre
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