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Ilustrada
17/11/2008 - 11h23

Artista inglês Damien Hirst reconhece que arte está cara demais

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da Efe, em Londres

O artista plástico inglês Damien Hirst, que recentemente embolsou cerca de 100 milhões de libras (cerca de R$ 342 milhões) em um leilão de sua última obra na casa de leilões Sotheby's, reconhece que a arte se tornou cara demais em uma época de recessão econômica como a atual.

Em declarações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal "The Independent", Hirst se refere ao fato de não ter sido vendido, semana passada em Nova York, uma pintura sua com quatro caveiras de cores que tinha valor estimado em U$ 3 milhões (cerca de R$ 6,84 milhões).

Reuters
O pintor inglês Damien Hirst declarou que a arte ficou cara em uma época de recessão econômica como a atual
O artista plástico inglês Damien Hirst

A pintura foi comprada de Hirst pela metade desse valor há um ano, explica o próprio artista, que acrescenta que, de certo modo, é bom se impor o realismo no mercado da arte.

"O que o artista quer é ter seus quadros pendurados na parede. Um artista não vai deixar de fazer arte porque as pessoas deixam de comprar", ressalta.

O inglês, de 43 anos, a quem se atribui uma fortuna de cerca de 200 milhões de libras (R$ 681,72 milhões, aproximadamente), acrescenta: "Acho que [o ajuste nos preços do mercado da arte] é bom, pois haviam se tornado irreais".

"A gente começava a acreditar que estava ungido por Deus. Sempre pensei que a arte vale o que querem pagar por ela", disse.

"Os compradores se tornaram mais seletivos e mais especuladores. Há quatro anos era possível comprar algo por 50 mil libras (cerca de R$ 169 mil). Não seria um problema se voltássemos a isso. Tudo o que sobe, desce. É como quando perguntaram a John Lennon por que ia cortar o cabelo e ele respondeu: 'O que a gente vai fazer quando ele crescer muito?'"

Hirst afirma que sua obra futura será regida pelas leis do mercado. Quando se quer vender uma obra nova e as pessoas não têm mais, ou o artista não se importa, "ou espera até que todos possam comprar sua obra ou as vende mais barata", diz.

No entanto, o artista inglês expressa seu desejo de criar mais obras de ouro, após o êxito de "The Golden Calf" (o bezerro de ouro, em tradução literal) um animal conservado em formol com chifres e patas de ouro criado para seu bem-sucedido leilão na Sotheby's.

 

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