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Ilustrada
19/11/2008 - 09h52

Peça apresenta o texto de Tom Murphy ao Brasil

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GABRIELA MELLÃO
colaboração para a Folha de S.Paulo

Melhor espetáculo adulto no 12º Cultura Inglesa Festival (2008), "Trilogia de Alice", do irlandês Tom Murphy, 73, iniciou na terça-feira (18) temporada no Centro Cultural São Paulo.

Ligia Jardim/Divulgação
Martha Meola e Eliana Cesar atuam em "Trilogia de Alice"
Martha Meola e Eliana Cesar fazer parte da peça "Trilogia de Alice"

Considerado um dos maiores talentos da geração pós-Beckett em seu país, Murphy, que escreve há quase meio século, permanecia inédito no Brasil.

"Ele é o grande segredo da Irlanda", diz o diretor e tradutor do espetáculo, Carlos Gomes.

Sua escrita transcende fronteiras, especialmente a história sobre irrealização pessoal contida em "Trilogia de Alice", que retrata três fases da vida da protagonista Alice, uma dona-de-casa esvaziada por uma existência patética. "Considero este o trabalho mais universal do autor. Temos muitas Alices no país das maravilhas tropicais", continua Gomes.

Linguagens distintas

A "Trilogia" tem estrutura saborosa. São três peças, dotadas de linguagens, estéticas e ações distintas. Cada uma pode ser compreendida separadamente, mas, juntas, revelam um entendimento aprofundado sobre a vida. O espectador acompanha a involução da personagem ao longo do tempo.

"Cada fase complementa e justifica a anterior de forma brilhante", opina Martha Meola, a atriz que interpreta a protagonista e diz conhecer várias Alices: mulheres inteligentes, conscientes de suas próprias barreiras, aprisionadas por uma estrutura familiar pouco significativa e uma sexualidade inexplorada. Apesar de obcecadas em encontrar um sentindo na vida, sofrem em vão, incapazes de uma mudança efetiva.

Aos 25 anos, a Alice de Murphy já é infeliz. Encorajada por uma combinação de calmantes e uísque, trava um diálogo com seu alter ego e, eventualmente, confessa desgosto com o casamento. É apenas aos 60, sofrendo a tristeza de uma perda irreparável, que ela realmente encara a vida que nunca desejou. O intenso pesar de Alice dá lugar ao momento mais vigoroso do espetáculo. Através de monólogo poético, com interferências de seu marido, Alice revela pleno entendimento de sua existência desperdiçada.

Murphy é pessimista, mas dá espaço à redenção. "Ele respeita o instinto de sobrevivência. Porém, antes do respiro, nos leva até o fundo do poço, nos apresentando o pântano escuro do ser humano", diz Gomes.

TRILOGIA DE ALICE
Quando: de ter. a qui., às 21h; até 18/12
Onde: Centro Cultural São Paulo - sala Jardel Filho (r. Vergueiro, 1.000, tel. 0/xx/11/3383-3402)
Quanto: R$ 15
Classificação: não indicado a menores de 14 anos

 

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